Vanguarda pop e indie em festival

Afluentes altamente criativos da música contemporânea se encontram a partir de hoje no teatro Oi Futuro Ipanema, no Rio. Os shows fazem parte do festival Novas Frequências, que busca estabelecer-se no vácuo de eventos que trazem ao Brasil nomes alternativos menos conhecidos, embora de forte relevância, que apelam a nichos mais segmentados do indie. A programação começa com o rock experimental e afins do Sun Araw. Laureado pela crítica estrangeira, o grupo liderado por Cameron Stallones, uma das figuras mais importantes da efervescente cena independente de Los Angeles, experimenta com sonoridades que vão do afrobeat ao house ao rock psicodélico - tudo entorpecido por efeitos lisérgicos e composições de melodias mântricas. A banda começou em 2006, quando Stallones mudou-se para Los Angeles. Nos três anos seguintes lançou uma trinca de discos que culminou com o ótimo Heavy Deeds, de 2009.

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2011 | 03h09

O destaque internacional mais aguardado é o Com Truise, produtor americano que toca, no sábado, sua receita de funk lo fi (baixa fidelidade) de estéticas oitentistas sintetizadas. O pseudônimo de Seth Haley é um fenômeno recente da blogosfera. Chamou atenção em 2010 com uma série de remixes para outros artistas de viés oitentista, como Neon Indian e Twin Shadow. Este ano, lançou, pela excelente gravadora Ghostly International, de Matthew Dear e outros, os primeiro discos, além de manter-se na ativa com uma série de outros projetos.

Na quinta-feira é a vez do produtor mexicano Murcof, cuja discografia inclui tanto adaptações das obras de compositores eruditos como Arvo Pärt e Morton Feldman, quanto elegantes produções de minimal techno. Pseudônimo do tijuanense Fernando Corona, Murcof abrange com o seu trabalho possibilidades bem interessantes: além de dance music, já compôs obras eletro acústicas para o Palácio de Versailles e outros museus e teatros, e também trabalha com composições audiovisuais.

Sexta-feira é o dia do incensado DJ Andy Stott, que faz techno lento, escuro e demolidor. Stott é de Manchester, onde trabalha com diversas vertentes da bass music contemporânea, do dubstep ao juke, som da periferia de Chicago. Este ano lançou o excelente EP Pass Me By, que atrasa os BPMs do techno a uma velocidade quase arrastada, e abre espaços para samples bêbados e fúnebres que compõem estruturas musicais dançantes ao mesmo tempo que entorpecentes.

Bons nomes brasileiros encerram a programação do Novas Frequências no domingo. O destaque fica para o produtor mineiro Psilosamples, que faz o que já foi chamado de techno roça: uma receita de música eletrônica que desconstrói elementos da cultura popular brasileira e os funde com batidas sintéticas.

O novo produtor de Brasília Pazes também toca na mesma noite. Influenciado pela cena de beats de Los Angeles, nicho encabeçado pelo brilhante beatmaker Flying Lotus e seus comparsas. o músico tem remixes de Los Hermanos e traz frescor ao eletrônico brasileiro.

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