Vampiro Moderno

Vampiro Moderno

Park Chan-wook analisa Sede de Sangue e diz que seus temas no novo longa são sexo e religião

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2010 | 00h00

Festival de Cannes de 2009 - dois filmes coreanos participam da seleção oficial. Um passa na mostra Un Certain Regard e é o melhor, Mother, de Bong Joon-ho. O outro concorre à Palma de Ouro - Sede de Sangue, de Park Chan-wook. O diretor da trilogia da vingança - Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy e Sympathy for Lady Vengeance - invade a Croisette com uma história de vampiros modernos, que envolve sexo e religião. Só os admiradores mais fiéis se entusiasmam por Sede de Sangue, mas, no final, o júri divide seu prêmio especial entre o longa de Park Chan-wook e Fish Tank, de Andrea Arnold. Quando dá a entrevista, ele ainda não sabe que vai ganhar.

Por que um filme de vampiros?

A etiqueta é fácil de colar em meu filme, mas eu me pergunto se é justa. O público jovem que pensa em filmes dessa tendência tem em mente Entrevista com o Vampiro (de Neil Jordan) e Drácula de Bram Stocker (de Francis Ford Coppola). Sede de Sangue não tem o romantismo exacerbado de nenhum dos dois. Pode ter humor, mas também não é A Dança dos Vampiros (de Roman Polanski) e eu estou seguro de haver eliminado tudo aquilo que rege o imaginário ocidental sobre vampirismo. Nada de dentes agudos, de estaca no coração nem medo de alho. O sexo e a religiosidade são os verdadeiros temas de Sede de Sangue, mas não tenho como fugir ao óbvio. Vocês (críticos e jornalistas) dizem que meu cinema é de gênero. Sede de Sangue narra um romance de vampiros.

A estrutura visual e dramática fica próxima da trilogia da vingança. Qual é sua relação com outro filme de gênero que você fez antes, I"m a Cyborg but It"s OK?

Não sou eu que tenho de dizer, mas vocês, jornalistas, e o público. Quando fiz I"m a Cyborg, tive a impressão de estar encerrando uma fase da minha carreira, mas não estou seguro de que Sede de Sangue marca o início de alguma outra coisa. Se eu fosse comparar a uma refeição, diria que I"m a Cyborg é o prato principal e que Sede de Sangue representa a fatura, o momento inevitável e nem sempre agradável de pagar a conta.

E que conta, exatamente, nós, o público, vamos pagar?

A violência é um tema que não atrai apenas a mim. Ela assombra o cinema coreano como um todo. Não vou dizer que esse é um filme mais psicanalítico, embora ele talvez se preste mais a esse tipo de análise do que os outros. Falar de sexo e religião me permite encarar a repressão. É um universo amplo. Envolve comportamento individual e social, política. Não quero exagerar, mas espero que as pessoas percebam que este filme tem camadas.

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