Vampire Weekend e a juventude que não morre

Herói do indie mainstream, a banda lança Modern Vampires of the City, disco com novos refrões hiperglicêmicos

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h09

É fácil detestar o Vampire Weekend. Desde que virou darling de crítica, em 2008, e popular entre as massas, em 2010, o grupo de bons garotos do Upper West Side nova-iorquino é porta-voz de um nicho indie que exalta a inocência. Propositalmente ou não, a música tornou-se representante de um ideal de juventude comercializado ad nauseam por empresas de publicidade, que vale-se do petit, do fofo, para chegar ao coração do público alvo. É claro que isto não é culpa da banda, que como um Phoenix, ou um Passion Pit, trabalha com competência e atende seu eleitorado generosamente em Modern Vampires of the City, novo disco lançado este mês e disponível no iTunes, por US$9,99. Mas o fato é que este tipo de pseudo nostalgia cheira a farsa - como tudo que um dia já foi verdadeiro e hoje é cooptado pela indústria- e parece desdenhar do conceito de pureza almejado pela música: memória, saudade, inocência são chaves para um mundo extremamente rico, que vai muito além do que propõe esta simplória estirpe de indie pop. Portanto, é fácil, quase automático, desdenhar do saudosismo pré-adolescente evocado pela voz meio esgoelada de Ezra Koenig e pelos arranjos ensolarados de Rostam Batmanglij.

Mas olhando pela ótica específica deste tipo de nicho, Modern Vampires of the City não é um disco ruim. Há um bom conteúdo de melodias graciosas e arranjos bem bolados, que inserem referências de música erudita num contexto de indie rock. Algumas faixas, como Obvious Bycicle e Unbelievers tiram o grupo do armário alternativo e abraçam o rock mainstream com sinceridade, uma trajetória natural que só não cairia bem se a banda insistisse em um status cult.

Mas isto também não quer dizer que é um bom disco. Modern Vampires of the City requer uma certa predisposição. A postura juvenil, tranquilamente encenada no homônimo disco de estreia (2008), e em Contra (2010), parece estratégica em faixas como Step e Ya Hey, que têm melodias açucaradas mas não convencem o ouvido crítico a cantar junto como se tivesse 13 anos.

Quando é menos hiperglicêmico, o grupo acerta. A faixa Hudson, com harmonias orquestrais, voz mais grave e fundo eletrônico tira o disco do oba oba e paira como folha seca para anunciar a última música. É quase um alívio ouvir um acorde menor em um disco do Vampire Weekend. Na faixa em questão, é prova de que a musicalidade do grupo sustenta também um lirismo maduro, soturno, que faz falta em discos de bandas do mesmo porte do Vampire Weekend.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.