'Vamos tratar de temas que preocupam a sociedade'

Violência, justiça e qualidade de vida são alguns dos assuntos que vão inspirar as mesas da primeira edição do evento

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2013 | 02h16

A literatura urbana seria o foco principal da Pauliceia Literária?

O festival começou com a ideia de promover a literatura e estimular a leitura entre advogados. Cresceu muito desde que começamos a pensar no projeto, mas manteve essa proposta básica, ampliando ainda seu alcance, e se abrindo para a cidade de São Paulo. Lê-se muito pouco no Brasil. Nossa ideia é mostrar, através de debates sobre temas estruturais da nossa sociedade, entre escritores de diversas partes do mundo, que a boa leitura, os bons livros enriquecem nossa vida. Vamos abordar temas que preocupam a sociedade: violência, justiça, urbanismo e qualidade de vida, entre outros, e, nesse sentido, estamos focados na temática urbana.

Existe um parentesco profundo entre a literatura de suspense e a psicanálise, pois há, em ambas, uma verdade a ser desvendada?

Acredito que a psicanálise tem um parentesco com a literatura de maneira geral, e não apenas como o 'roman noir'. Veja, grande parte da literatura é feita a partir de nossas neuroses, nossos medos. Sublimamos nossos piores sentimentos na literatura. Li, nesses dias, Liberal Imagination, de Lionel Trilling, no qual ele diz que o mundo é surpreendente e complexo demais, e que nossa mente não pode entendê-lo usando as mesmas ferramentas que usamos para nossas tarefas diárias. E a literatura é uma ferramenta que nos ajuda a entender o mundo e nós mesmos. Da mesma forma que a psicanálise.

Você lê muitos romances policiais? Do que mais gosta?

Já li muitos romance policiais. Hoje leio menos. Mas o que me atrai não é o suspense, nem a lógica da investigação. Eu me interesso sobretudo pelos personagens, os assassinos, os loucos, os solitários, os ciumentos, as vítimas. São esses personagens, vivendo uma situação-limite, colocando em xeque seu código ético, e tendo o medo como paixão estrutural, é isso que me interessa. Um crime nos coloca diante de situações complexas: medo, responsabilidade, culpa, redenção. Tenho mais afinidade com os autores que privilegiam os personagens, e vão fundo no fenômeno humano. Patricia Highsmith por exemplo. / U.B.

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