Arlindo Camacho/Divulgação
Arlindo Camacho/Divulgação

Valter Hugo Mãe vence o Prêmio Portugal Telecom 2012

Autor português ganhou R$ 100 mil por melhor romance e melhor livro lusófono publicado no Brasil em 2011

Maria Fernanda Rodrigues,

26 de novembro de 2012 | 22h06

O português de origem angolana Valter Hugo Mãe, um dos quatro finalistas na categoria romance do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, queria que seu concorrente Bernardo Kucinski ganhasse. "Ele levanta uma questão muito digna e por isso achei que ele deveria ganhar. As pessoas precisam ler K." Já o artista plástico Nuno Ramos, finalista em poesia, torcia por Zulmira Ribeiro Tavares. "Vesúvio é um livro lindo, definitivo, merecia ganhar." Mas a torcida de nada adiantou e o prêmio foi dado aos dois mesmo - a Hugo Mãe por A Máquina de Fazer Espanhóis (Cosac Naify) e a Nuno por Junco (Iluminuras).

O terceiro prêmio, para o melhor título de conto ou crônica, foi para O Anão e a Ninfeta (Record) e seu autor, Dalton Trevisan, como esperado, não foi à cerimônia na noite de segunda-feira no Auditório do Ibirapuera. A apresentação foi da atriz Maria Fernanda Cândido e de Arnaldo Antunes, que também cantou.

Os três ganharam R$ 50 mil e concorreram, entre si, ao prêmio de melhor livro do ano, faturado por Valter Hugo Mãe. Por isso, ganhou outros R$ 50 mil. Esta foi a primeira edição desde a mudança no regulamento. Até então, os três primeiros colocados - não havia divisão em categoria - ganhavam R$ 100 mil, R$ 35 mil e R$ 15 mil.

Hugo Mãe, que chegou a São Paulo depois de passar uma semana em Angola, país onde nasceu, em 1971, mas que nunca tinha visitado, para "compor a memória ficcional" de sua família, falava devagar na premiação enquanto atinava a novidade. "Cresci escrevendo muito, mas não acreditava que pudesse conquistar coisa nenhuma. Nunca sequer sonhei em ser escritor. Achava que escrevia para mim, para fazer a manutenção dos meus dias, para suportar os dias. É incrível estar aqui hoje." A Máquina de Fazer Espanhóis é um livro delicado, narrado por um homem de 84 anos que se muda para um asilo depois da morte da mulher. Para a crítica Leyla Perrone-Moisés, da comissão julgadora, houve raro consenso em torno do livro. "Valter é um escritor que tem domínio da linguagem, humor, sensibilidade, seriedade e compreensão do ser humano."

O português se disse "lerdo de felicidade". Ele já tinha livros publicados aqui quando veio à Flip em 2011, mas foi ali que foi descoberto. No palco, leu uma declaração de amor ao Brasil, chorou e fez chorar. Agora, pensou: "Se acontecer alguma coisa não posso chorar. Não posso fazer isso sempre. Estou indo para o hotel, chorar lá que ninguém vê", brincou.

Leyla destacou também o talento múltiplo de Nuno Ramos e disse ser difícil conciliar a obra com sua imagem. "Ele parece um menino e não é nada triste. E a obra dele é de um peso." Junco é seu primeiro livro de poesia. Em 2009, o artista venceu o Portugal Telecom com Ó. "O prêmio me deu um lugar. Foi como se minha voz pudesse ser mais dignificada." Ele deve lançar novo livro de poemas em 2013.

K., de Bernardo Kucinski, ganhou menção especial. O título é situado na ditadura militar, escolha rara na literatura brasileira.

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