Valorização motiva ladrões, diz filho de Portinari

João Candido Portinari, filho do artista e diretor-geral do Projeto Portinari, disse que foi informado pela imprensa da recuperação da obra Caçador de Passarinho, de 1958, que estava desaparecida e foi encontrada em um contêiner que chegara de Miami onde supostamente havia produtos químicos."Acreditamos que não há cidadania sem memória. E que não há memória sem arte. Por isso temos lutado para preservar a memória de um artista como Portinari, que retratou a alma, o povo e a vida brasileira", diz João Candido em nota divulgada à imprensa, em que "manifesta o desejo de que ela seja preservada em lugar seguro". Para João Candido, a valorização de obras do artista - o quadro Balanço, de 1959, alcançou US$ 940 mil em leilão realizado pela Sotheby´s, de Nova York, em novembro - pode ter "recrudescido" o interesse de criminosos. Outro fator apontado pelo especialista foi a publicação, no ano passado, do primeiro catálogo, de cinco volumes, com a obra completa do pintor, um trabalho de 25 anos de pesquisa, resultado do cruzamento de cerca de 30 mil documentos."É possível que tenha havido um recrudescimento em função da valorização após leilões internacionais como o da Sotheby´s, mas é preciso dizer que esse tipo de coisa sempre tem acontecido", declarou João Candido, de 66 anos. Ele citou a criação de uma sala dedicada ao artista no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), composta principalmente por obras transferidas de locais públicos como a Capela Mayrink, que tinham sido roubadas e foram recuperadas pela polícia.O Projeto Portinari, instituição responsável há 26 anos pela preservação da obra e da memória do pintor Candido Portinari, informou, na nota, que a tela foi levantada em 1982 e trata-se de uma pintura em óleo sobre madeira, medindo um metro por 65 centímetros e assinada e datada: "PORTINARI 58". "Na época, a tela pertencia a uma coleção particular. O Projeto Portinari acompanhou o paradeiro desta obra por algum tempo, perdendo depois o contato com a mesma", informa a nota. No dia 24 de novembro, três homens roubaram a obra Preparando Enterro na Rede, avaliada em R$ 2,5 milhões, da Galeria Thomas Cohn, na Avenida Europa, zona sul de São Paulo.

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