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Valentino faz homenagem a Roma com desfile ao ar livre

Apresentação da grife ocorreu a céu aberto, no meio da cidade, e explorou a relação entre o sagrado e o profano

Maria Rita Alonso , O Estado de S. Paulo

11 Julho 2015 | 16h00

ROMA - Um vestido preto de festa é algo bem básico. Ou não. No caso do desfile de alta-costura da grife italiana Valentino, que ocorreu na última quinta-feira, 9, em Roma, a sucessão soberba de longos negros que surgiu na passarela surpreendeu e impactou. Ali, de básico, não havia nada. A primeira modelo apareceu com um vestido de tule de seda leve, com aplicações de veludo e pequenas plumas que remetiam à imagem de uma águia. A saia era transparente e um cintinho vermelho fino, agarrado por um bico de pássaro aplicado, marcava a cintura. Depois vieram peças de georgette, de renda, de veludo, com bordados rebuscados, decotes de um ombro só, modelagem em coluna, sandálias gladiadoras sem salto... Tudo inspirado em símbolos, histórias e lugares da cidade eterna. 

Fundada em Roma, em 1960 por Valentino Garavani, a marca decidiu festejar a abertura de uma nova megastore na capital italiana, na Piazza di Spagna, armando uma passarela ao ar livre. E convidou clientes especiais do mundo todo, além de jornalistas e celebridades, a exemplo da atriz Gwyneth Paltrow, para assistir ao show. O desfile aconteceu durante o pôr do sol e a luz dourada conferiu um tom ainda mais dramático à apresentação. Tudo foi concebido pela dupla de estilistas Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que, desde 2008, assinam as criações e respondem pela direção criativa da grife. 

Para os convidados, a imersão no mundo de Valentino começou horas antes do desfile, com uma visita guiada a dez pontos de Roma que são fontes de inspiração para a dupla. O circuito, batizado de La Mostra Difusa, incluía uma sala de banho particular no Palazzo Doria Pamphilj, a biblioteca pública Casanatense, onde os designers costumam pesquisar livros antigos sobre botânica, vida marinha e astronomia, o salão de esgrima mais antigo de Roma e as coxias de um teatro, onde artesãos montam cenários e figurinos de ópera.

Em muitos desses lugares, havia vestidos de alta-costura de coleções passadas da grife, em instalações que explicitavam as referências para a criação de cada um deles. Passarinhos e flores de afrescos antigos, anjos esculpidos em mármores, padrões de tapeçaria e detalhes arquitetônicos foram pontos de partida para estampas, bordados, modelos e adereços de roupas e acessórios. “Estou muito orgulhoso dessa mostra porque conseguimos revelar uma Roma menos acessível. Frequentamos lugares que ficam escondidos dos turistas, atrás de portas que normalmente permanecem fechadas”, diz Pierpaolo. “Ao revelar esses lugares, mostramos também o nosso processo de criação.”

Intitulada de ‘Mirabilia Romae’ (em latim, Maravilhas de Roma), a coleção trouxe inicialmente uma atmosfera noir – segundo Pierpaolo, “Roma tem também um lado sinistro e misterioso”. Depois, surgiram três outros temas, com levas de vestidos dourados, vermelhos e, por fim, com estampas geométricas nos tons de vinho, verde e azul. Os dourados lembravam a época do império romano, com trajes curtos e plumas metalizadas. O grupo de vermelhos, que é a cor-símbolo da maison há décadas, trazia uma vibração sexy. Os vestidos, por sinal, ora transbordavam sensualidade, revelando as formas do corpo, ora mostravam sobriedade com mantôs e capas inspiradas em vestes de clérigos. “Nos interessa muito essa relação entre o sagrado e o profano”, diz Maria Grazia. “Nossa intenção foi explorar essa dualidade que, afinal de contas, faz parte da vida.”

Os vestidos, realmente, tinham algo sublime que toda mulher busca em uma festa de gala para se diferenciar e roubar a atenção. Até o fato de boa parte deles ser preta significa uma coisa muito importante: um vestido de alta-costura, feito pelas mãos dos artesãos mais bem treinados, com processos de confecção artísticos, nasce para ser atemporal, para durar uma vida. Primeiro porque é uma peça única, trabalhada por semanas, às vezes meses, em mesas de costura e de bordado. Depois, porque representa a síntese da moda, o básico chique que é sonho de consumo. E que mulher não gostaria de contar com um pretinho assim no guarda-roupa?


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