Milton Michida/Estadão
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‘Vai-se a última grande superstar, mito’, escreve Ignácio de Loyola Brandão sobre Tônia Carrero

Atriz morreu aos 95 anos no final da noite deste sábado, 3, na clínica São Vicente, na Gávea, no Rio de Janeiro

Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 21h35

O TBC e a Vera Cruz legaram ao teatro e ao cinema um elenco de superestrelas belíssimas: Eliane Lage, Tônia Carrero, Maria Della Costa, Ilka Soares, Odete Lara. Eliane e Ilka retiraram-se de cena há um bom tempo. Maria e Odete morreram. Com Tônia, vai-se a última grande superstar, mito. 

Certa vez, década de 60, a Companhia Tônia-Celi-Autran, no auge da fama, passou por Araraquara em turnê, representando Entre Quatro Paredes, de Sartre. Terminado o espetáculo no Teatro Municipal, reuniu-se pequeno grupo a beber no Bar do Hotel Municipal.

Começo da madrugada, Tônia e Paulo quiseram fazer um passeio a pé, caminhar libertando-se da atmosfera pesada sartriana. Anda que anda, sentimos todos um cheiro de pão sendo assado na esquina da Rua Um com a Avenida Barroso. Era a padaria Perez tirando a primeira fornada.

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Paulo e Tônia viram a porta entreaberta, foram entrando, rumo aos fornos, para espanto e alegria dos padeiros e de Inah Bittencourt, do grupo de teatro local e filha do dono da padaria.

Abriram-se latas de manteiga fresca e os pães quentinhos eram besuntados com alegria. Foi feito um café. Tônia e Paulo Autran sentaram-se sobre os sacos de farinha e fartaram-se. Anos depois, ao nos encontrarmos no Gigetto, ela me confessou: “Das mais belas noites de minha vida. Que pão, que manteiga, que madrugada. Aquele foi um momento feliz”. A padaria Perez não existe mais em Araraquara.

 

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