'Vai que Cola' volta, com edição ao vivo

Programa mais visto da TV paga no ano passado, sitcom chega à 2ª temporada no Multishow, com novos personagens

CRISTINA PADIGLIONE / RIO , O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h27

O público se acomoda na arquibancada montada na Arena da Barra, no Rio. A expectativa da plateia interessada no espetáculo, mais do que rir, é gargalhar. Beirando o humor pastelão, o programa Vai que Cola, do canal Multishow, inspira o tal do riso frouxo. E honra sua entrega aos espectadores - in loco e via TV. O Estado acompanhou a rotina de um dia de gravação da 2.ª temporada da sitcom, que, no ano passado, se tornou o título mais visto da TV paga no Brasil. A estreia da nova safra será amanhã, em edição excepcionalmente ao vivo, às 22h30, com novos 40 episódios diários.

Na retomada do enredo, novos hóspedes baixam na pensão da Dona Jô (Catarina Abdala), no Méier, incluindo um paulistano - e representante mais autêntico da Pauliceia não há, que um motoboy corintiano: lá estará Sanderson, clássico personagem de Marcelo Médici e orgulhoso de suas origens no Capão Redondo. Tem ainda Tatá Werneck, como taxista, e Júlia Rabello, além de Fábio Porchat, que faz participação especial em dois episódios.

Já Paulo Gustavo resgata personagens de sua galeria - vide a Mulher Feia, presente na gravação que acompanhamos. "Ela"faz a alegria do auditório presente, que se delicia com a desgraça alheia e dá vazão ao tentador exercício de zombar dos outros.

Diretor do programa, ao lado de João Fonseca, César Rodrigues arrisca um diagnóstico para tamanho sucesso: a capacidade de espelhar a crítica que mora em todos nós, mesmo quando cometemos pecados similares. "Acho que esse é um dos sucessos da série: ela vai num tom acima, mas reflete um pouco essa percepção social, de vantagem, de como a gente convive com essa maneira de aceitar as coisas ou contemporizar, ser muito cordial", diz Rodrigues. "Isso representa muito essa nossa cultura, de aceitar e ser condescendente: a gente critica, mas não consegue sair desse lugar. De alguma maneira, mostra ali que, no final, todos nós somos um pouco permissivos."

No enredo, um ano se passou. Dona Jô fez uma obra na pensão, mas o dinheiro acabou e a conclusão do trabalho sobrou para Seu Wilson (Fernando Caruso). Nesse contexto, a Polícia Federal retoma a investigação do caso Lacerda e descobre que Valdomiro (Paulo Gustavo) está no Méier. O problema é que cada morador tem lá seus pecados: Máicol (Emiliano D'Ávilla) anda pichando para agradar Jéssica (Samantha Schmütz), Velna (Fiorella Mattheis) é, na verdade, Aparecida, ex-golpista de Cascadura, Seu Wilson fez um gato de energia elétrica e Ferdinando (Marcus Majella) não limpou os focos de dengue da casa. Dona Jô também fez o puxadinho da laje sem autorização da prefeitura. E Terezinha (Cacau Protásio), viúva de bicheiro, não gosta de polícia por perto.

Diferentemente do Sai de Baixo, que ensaiava cada episódio e só gravava com presença da plateia, o Vai Que Cola é primeiro gravado sem público - e então o diretor se permite parar e repassar cada detalhe - e com plateia numa segunda etapa. "Quando tem público, evito parar, cada vez mais eu deixo nas mãos deles", diz Rodrigues. "Quanto menos a gente interfere, mais vivo e espontâneo fica. Hoje eu praticamente já não interfiro nos erros. Tanto a plateia como a pessoa em casa curte essa coisa falível e se diverte com aquilo", completa o diretor.

Com palco giratório, a sitcom agrega agora a laje ao cenário e traz Dona Jô mais apegada que nunca à sua "hortinha", onde cultiva "ervas medicinais relaxantes", como diz Catarina Abdala, e de onde sempre volta muito alegre.

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