Vai ficar apertado

Rock in Rio, SWU, Planeta Terra... Está anunciada uma era de megafestivais no País, que vai movimentar muito dinheiro e milhões de fãs ensandecidos

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2010 | 00h00

Em maio. Fãs do Soulfly no recente Rock in Rio Lisboa. Foto: Hugo Correia/ Reuters

 

  A era dos megafestivais voltou, com tudo que isso implica: multidões na estrada, corais humanos gigantes, ondas revivalistas, muita lama e bandeiras politicamente corretas. Nos dias 9, 10 e 11 de outubro, 200 mil pessoas rumarão para uma fazenda em Itu para o novíssimo SWU Music and Arts Festival, que anuncia em seu line up o fundamental Pixies, lenda de Boston, fazendo o show do disco Doolittle, de 1989.

Inspirado diretamente na jornada de Woodstock (mas, segundo o próprio organizador daquele festival dos anos 60, Michael Lang, "sem a bagunça e a desorganização" daquele), o SWU tem formato de ecofestival e pretende promover a conscientização ambiental ? terá 8 mil barracas de camping para os frequentadores (Coachella, nos EUA, costuma ter 15 mil barracas).

Em junho, o empresário Roberto Medina vem ao Rio de Janeiro para anunciar os detalhes da próxima edição do Rock in Rio no... Rio de Janeiro (após 9 anos na Europa, em Madri e Lisboa). Será na última semana de setembro e na primeira semana de outubro de 2011, em Jacarepaguá. Shakira já se ofereceu voluntariamente para o retorno, e Medina quer também os Black Eyed Peas, David Ghetta e Rihanna.

Entre um e outro, haverá os intermediários. Foi confirmado para 20 de novembro o festival Planeta Terra, que no ano passado reuniu 16 mil pessoas no Playcenter. Ainda não há confirmações de atrações e local, mas há diversos nomes sendo especulados, entre eles Pavement, Grizzly Bear, The Dead Weather, Passion Pit, Two Door Cinema Club e Them Crooked Vultures.

Em setembro, haverá ainda um festival menor nos galpões da Vila dos Ipês, com The Adicts e Toy Dolls entre suas atrações (provavelmente será o Haagen Dasz Music Mix Festival).

A volta dos megafestivais coincide com um grande aquecimento do mercado de entretenimento na América Latina. Um estudo da Pricewaterhouse-Coopers divulgado esta semana mostrou que houve uma alta de 3,9% na região, enquanto há refluxo no mundo todo. Mais: que deverá crescer 8,8% ao ano até 2014. O entretenimento rendeu US$ 50 bilhões no ano passado e chegará a US$ 77 bilhões este ano (US$ 35 bilhões no Brasil). É difícil definir quanto desse faturamento diz respeito ao show biz, por que não há dados econômicos sistemáticos no setor, segundo disse ao Estado, em abril, o empresário Fernando Altério, dono da T4F, a maior empresa do setor na América Latina (controla 80% do mercado).

Segundo o publicitário Roberto Medina, que há 9 anos realiza os festivais Rock in Rio em Madri e Lisboa, um estudo da Universidade Católica de Portugal demonstrou que o impacto econômico do festival em Lisboa foi de 80 milhões (cerca de R$ 168 milhões). No Brasil, a última edição do festival, em 2001, gerou 7 mil empregos diretos e 15 mil indiretos, segundo o empresário.

Para os empresários do setor, o mercado se profissionalizou na região da América Latina, o que permite investimentos mais consistentes e planejamento, o que era impossível há 10 anos. A própria bilheteria paga os shows. Roberto Medina conta que um levantamento mostra que o preço médio do ingresso hoje praticado no mercado brasileiro resulta em algo próximo de 90 (cerca de R$ 189,00). "Em 2001, o ingresso médio era R$ 25", lembra. Isso obrigava o empresário do show biz a buscar patrocínios gigantescos.

"Outra coisa é que a economia mudou seu desenho, permitindo que outras classes hoje tivessem acesso ao entretenimento. Isso faz com que os eventos não sejam mais espasmódicos, e os investimentos se tornem frequentes", considera.

A intenção de trazer o Rock in Rio de volta ao Brasil em setembro e outubro, diz Medina, foi uma exigência da administração pública do Rio de Janeiro (tradicionalmente, o festival era em janeiro). "O prefeito me disse que em janeiro é ótimo, mas a cidade já tem a ocupação hoteleira completa. Em setembro e outubro, há muitas vagas, e além de tudo a temperatura é boa, chove pouco. Faz todo sentido", afirmou.

Eduardo Fischer, que está lançando o SWU Festival para 200 mil pessoas com um "gancho" ambientalista, colocou à venda 9 cotas de patrocínio para seu evento. Segundo diz, 100% dessa arrecadação vai para a campanha de conscientização ecológica (serão 5 mil inserções publicitárias nos principais veículos de imprensa e para a estrutura do festival). "Não é vergonha ganhar dinheiro, mas isso pode ser aliado a ação responsável", diz.

"Não cheguei a ter essa pretensão", diz Fischer, sobre o tititi em torno de uma reedição sul-americana de Woodstock. "Isso começou a vazar na mídia não sei por que. O SWU começou a ser gestado há um ano e 2 meses. A gente sentia a necessidade de os jovens se engajarem em movimentos pela sustentabilidade, mas achavam muito distantes coisas como Copenhague, Kyoto, Nações Unidas. Nós não vamos falar de coisas abstratas, tipo salvar o planeta. É mais simples, é apagar a luz", teoriza.

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