Vai fazer barulho

Ainda não sabe quem são eles? Que bom. O C2+Música estreia apostando em gente que fará o melhor som de 2010

Júlio Maria, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

 

Se não fosse pelo horário e pelo dia, 10h30 da manhã de uma quarta-feira, o povo que se alongava sob chuviscos no Parque do Ibirapuera diria que dali sairia um daqueles festivais de música com artistas que pouca gente conhece. Quatro rapazes de 18 a 20 anos vinham do Recife com baixo, guitarra e um nome estranho: A Banda de Joseph Tourton. Quem? E lá iam eles contar a história de Joseph Tourton. Outro jovem, branco de cabelo black power, sotaque paulista do interior quase brigando com a carreira de jazzista universal, tinha o instrumento no estojo e um assessor dando as credenciais ao repórter: "O cara arrasa." E a garota despojada do hip hop, que pegou ônibus na Avenida Pompeia a tempo de chegar na hora marcada, se esforçava para que a dor de dente que sentia naquela manhã não atrapalhasse a simpatia: "Não sei, acho que não estou bem, já tomei remédios. Só não queria perder o encontro."

 

Veja performance e bate papo com os músicos na TV Estadão

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Ninguém ali conhecia ninguém, e isso era bom. Na primeira edição do Caderno 2+Música, fomos atrás de artistas jovens dos quais pouco ou quase nada se falou. Ainda. Antes de ganharem luz própria, o que não deve demorar conforme fatos em suas carreiras apontam, entregamos seis nomes ao leitor com uma frase abaixo de cada um: "Fique de olho nele."

O guitarrista de jazz Diego Figueiredo, de 29 anos, faz voos frequentes aos Estados Unidos, Europa e América Latina na condição de astro. Há três anos, conquistou o segundo lugar no Montreux Jazz Guitar Competition, na Suíça, com um júri presidido pelo guitarrista George Benson. Um ano mais velha, com 30, a cantora Lurdez da Luz, timbre mais agudo do grupo de hip hop Mamelo Sound System, há dois meses lançou seu primeiro álbum solo, apenas orientada por nomões como o produtor Scott Hardy. O investimento maior no trabalho de Lurdez está no discurso, com rimas erguidas sobre duas vias simples, mas inusuais em seu meio: o amor e a mulher. "Eu quis colocar as questões do universo feminino de uma forma que o rap não conta."

Já os rapazes recifenses da Banda de Joseph Tourton baixaram em São Paulo logo depois de serem revelados pelas cortinas, sempre gentis ao bom gosto, do festival Rec Beat, no Recife. Joseph Tourton faz um rock instrumental que quebra com o conceito clássico "baixo, guitarras e bateria", com escaleta (espécie de teclado), flauta e sons eletrônicos. Suas ideias vêm inspiradas por Cidadão Instigado, Manu Chao e mestres da guitarrada paraense.

A manhã de quarta-feira no parque foi para a seção de fotos, feitas para esta reportagem, no palco do Auditório Ibirapuera, espécie de escala obrigatória a artistas que já conquistaram um bom público na base de clicks na internet, o suficiente para ocupar as 806 cadeiras do lugar.

Do mundo das pistas, a DJ Lara Gerin, de 38 anos, vem de um meio em que revelações surgem da noite para outra noite. No caso de Lara, os fatos levam a crer que sua escolha de trocar a moda pela música deve ser certeira. Outros dois escolhidos pela reportagem do C2+Música para estarem entre os nomes promissores da nova fornada são Leo Cavalcanti, filho do cantor e compositor carioca Péricles Cavalcanti e dono de uma habilidade em criar canções cheias de surpresas em arranjos e letras, e a cantora Rhaissa Bittar, de 20 anos, que mostra ser possível, mesmo com pouca idade, fazer um disco soar ao mesmo tempo pop, sofisticado e maduro. Com voz doce e infantil, ela se lança na carreira caindo nas graças de nomes como Nailor Azevedo, o Proveta, Ricardo Herz, Lula Alencar e Maurício Pereira.

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