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Vaccines a caminho

Se você ainda não ouviu falar deles, espere mais um pouco. A velocidade com que essa banda cresce é o mais espantoso

Lucio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

É sempre a mesma coisa. Quando um ano começa, é declarada aberta pela indústria musical a temporada de caça às novas bandas. E um dos nomes que lideram a disputa ao prêmio de "the next big thing" é a inglesa The Vaccines, de Londres.

Capa de revistas, críticas para lá de positivas em jornais, elogios de "notáveis", shows esgotados minutos depois de os ingressos irem à venda e, entre outros rápidos selos já pregados a seu nome, "Sound of 2011" da BBC inglesa. Esse é o admirável mundo novo do Vaccines, banda de guitar pop de alguns meses de idade, duas músicas no MySpace e um já hit em vídeo caseiro do Youtube postado no final do ano.

Dado o falatório geral em cima de um quarteto que foi formado em 2010 (vou repetir: 2010), o Vaccines lembra a trajetória rompante dos Strokes em 2001, há exatos dez anos: grupo mais entusiasticamente recomendado do que propriamente ouvido.

O zunzum começou nos blogs ingleses no meio de 2010, quando apareceu na web delicioso hino neopunk de 1,26 minutos chamado Wreckin" Bar (Ra Ra Ra).

Não demorou muito os Vaccines já estavam na Radio One, na XFM, no Guardian, The Independent, Q, na New Musical Express, no programa de TV do Jools Holland, blogs americanos, franceses, brasileiros.

Logo, os padrinhos apareceram. Entre eles Alex Kapranos, líder da banda escocesa Franz Ferdinand, mega na cena independente, que não só adotou os Vaccines de imediato como encaminhou os garotos para a Sony inglesa, que mesmo diante de apenas um punhado de canções fechou contrato com a banda, para lançar seu primeiro álbum.

Este é outro ponto que aproxima a trajetória dos Vaccines à dos Strokes. Aproxima pelo frescor revolucionário de chacoalhar uma ceninha rock meio parada, mas confronta logo de cara o grupo nova-iorquino. O aguardado álbum de estreia do Vaccines sai na Inglaterra no mesmo dia em que é lançado por lá o aguardado quarto disco dos Strokes. Será informalmente, pelo menos nas paradas indies, a batalha do novo novo rock contra o velho novo rock.

Produzido por Dan Grech, acusado de ser responsável por dar bons rumos às carreiras independentes de Kaiser Chiefs e o próprio Franz Ferdinand, o debut em disco do Vaccines tem um nome ótimo e bem sugestivo: What Did You Expect from The Vaccines? ("O que você esperava dos Vaccines?").

Mas, acredita-se, esse trabalho de Dan Grech com os Vaccines não vai ser muito tranquilo, quanto a palpites certos de um produtor tarimbado.

O líder da banda, o cantor Justin Young, é considerado um enfant terrible do novo rock. Genioso, já tem avisado a imprensa inglesa quase que em toda entrevista que o disco não terá "truques espertos de pós-produção". Ele afirma que os prováveis 35 minutos de faixas do primeiro álbum vão ser todas gravadas diretas, ao vivo, de uma vez. Sem essa de gravar primeiro instrumentos, depois a voz.

Acredite: agora em janeiro eles lançam um dos singles do ano: Post Break-Up Sex, o que já foi solto pela banda, meio que sem avisar, em forma de vídeo no Youtube. A letra pergunta: "I can"t believe you"re feeling good. What do you expect from post break-up sex? (Algo como "eu não posso acreditar que você está se sentindo bem. O que você espera de sexo depois de uma separação?").

O som do Vaccines é quase um "perfect pop" inglês a lá anos 80. Mas comparações frankenstein tipo "um Smiths com enxertos de Jesus & Mary Chain e Ramones" já foram cometidos em resenhas. Não só uma vez. O negócio é que a banda nasceu de uma engraçada mistura.

O Vaccines foi formado por Young, que tinha uma banda de folk, e seu amigo Freddie Cowan, que vem de uma cena sinistra de pós-punk de tema macabro, vertente forte que assombra a mente da molecada britânica roqueira. Cowan, guitarrista do Vaccines, é o irmão mais novo de Tom, este guitarrista do grupo The Horrors.

Enfim. Quando o disco sair, em 21 de março, ou antes disso, quando infalivelmente vazar na internet, o planeta pop vai ver se o Vaccines vai atingir suas expectativas, como a banda mesmo brinca no título do disco.

A MTV britânica já os escalou para concorrer no prêmio Best New Band of 2011, de cara. Os Vaccines vão estar na turnê da NME Awards, que varre o Reino Unido agora em fevereiro. E, pode acreditar, já tem produtor brasileiro no percalço da banda em festivais de música nova na Europa. Não se espante se você vir o Vaccines no Brasil muito antes do que se possa imaginar.

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