Usando a internet

A internet é um lugar imprevisível. Não sabemos o que vai viralizar, o que será um sucesso pelo mundo, o que vai gerar comentários, o que vai causar ódio, enfim, tudo pode acontecer quando você posta na rede um vídeo, uma foto, uma opinião, ou o que quer que seja.

Fábio Porchat, O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2015 | 02h00

Na verdade, tudo acontece. Os comentários das pessoas são dos mais variados possíveis. Você encontra gente que amou aquilo e gente que achou aquilo a pior coisa do mundo. Pessoas que dizem que você é um babaca e outras dizendo que você é a pessoa mais sensacional do planeta. Mas isso é para qualquer postagem. 

Pode ser uma foto sua deitado numa rede, um comentário político, um vídeo do seu gato tomando leite, tanto faz, não importa o teor do que você colocou no ar, as pessoas vão te amar e as pessoas vão te odiar. Simples assim.

Sabendo disso, muitas vezes, a mídia tem se aproveitado dessa situação confusa para poder avalizar algumas matérias se utilizando desses comentários para “confirmar” seu conteúdo.

Os números da postagem também são bastante alardeados e ajudam a reafirmar o que a matéria quer. Até porque o público não sabe se um número é alto ou baixo. Se eu te disser que um vídeo já teve mais de mil visualizações, isso significa o que? Muito? Pouco? Se eu te disser que cem pessoas comentaram. Isso é bom? É ruim? No fundo, é o que eu quero que você ache. Se eu falo: “o vídeo já tem mil visualizações”, o vídeo parece um sucesso. Se eu disser “o vídeo quase não chega nem a mil visualizações”, pronto, já transformei o vídeo num fracasso. 

A mesma coisa com os comentários. Posso dizer que as pessoas estão criticando muito aquele comentário ou aprovando apenas usando citações. Quer ver? Em um mesmo vídeo do Porta dos Fundos, encontrei esses comentários: “Um dos melhores vídeos do Porta dos Fundos de todos os tempos. Eu to chorando de rir!”, “Fraco, não ri de absolutamente nada”, “Fabio sempre arrasando, ele é o meu preferido”, “Como é possível alguém achar graça desse Fabio Porchato?”. 

E aí? As pessoas gostaram ou não? Depende do teor da sua matéria, você quer que elas tenham gostado ou não? O vídeo teve mais de três milhões de acessos. Positivo. Mas é muito menos do que teve o vídeo mais visto do grupo. Negativo. Mas é um número maior do que a média do canal. Positivo. Mas é um número menor do que se poderia atingir comparando com alguns sucessos do grupo. Negativo. E aí? Analisar e entender os dados na internet não é uma coisa fácil. Só é fácil se você quiser provar que você está certo.

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