Urubus censurados foram as estrelas

A 29.ª Bienal de São Paulo, com curadoria geral de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, ocorreu entre 25 de setembro e 12 de dezembro no Ibirapuera. Recebeu, segundo a instituição, cerca de 530 mil visitantes. Mostra de grande fôlego, com mais de 800 obras de 159 artistas nacionais e estrangeiros - além de atrações nos espaços chamados "terreiros", espalhados pelo pavilhão, ela foi marcada por algumas polêmicas que a desgastaram.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

A primeira delas começou antes mesmo da abertura: o pedido, dia 17 de setembro, da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) pela retirada dos desenhos do artista pernambucano Gil Vicente nos quais ele se autorretratava matando líderes políticos, sociais e religiosos. A Fundação Bienal de São Paulo não acatou o pedido e as obras se tornaram uma grande atração pelo menos nos primeiros dias da exposição.

Pouco depois do ocorrido, a instituição teve outro problema: decidiu, antes ainda da abertura da mostra para o público, cobrir os retratos dos então candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), parte da instalação do artista argentino Roberto Jacoby. A Bienal acatou recomendação do Tribunal Regional Eleitoral de que a obra pudesse infringir a lei eleitoral na época. Jacoby, que em sua obra dizia discutir a campanha brasileira fazendo uma espécie de comitê pró-Dilma, ficou revoltado com a decisão da instituição - e deixou no espaço de sua instalação os artigos de imprensa sobre o fato. Terminada a eleição presidencial, a Bienal descobriu os retratos de Serra e da presidenta eleita.

Mas a grande confusão do evento se deu mesmo com os três urubus da obra Bandeira Branca, de Nuno Ramos. O debate se as aves deveriam ficar ou não na obra - e, por sinal, o artista tinha a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para usá-las - rendeu dias. Para completar, no primeiro dia da mostra, um pichador, Djan Ivson - do grupo convidado pela própria curadoria da mostra para expor suas ações por meio de documentação de suas ações - invadiu a Bandeira Branca de Nuno Ramos e nela pichou os dizeres "liberte os urubu" (sic), causando tumulto. Nuno resolveu retirar a frase de seu trabalho e não fez queixa. A polêmica em torno dos urubus se arrastou por dias, com protestos de ambientalistas.

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