Ups

Caíram em cima do Fernando Henrique quando ele, recém-eleito, disse para esquecerem tudo o que tinha escrito. Era uma boa piada, significando que o que para o sociólogo fora apenas teoria o presidente agora teria que enfrentar na prática, e um simpático exemplo de humor autodepreciativo. Ele só não se deu conta de que não estava nos Estados Unidos, onde este tipo de humor, mesmo em altos escalões, é comum. E foi perseguido durante todo o seu governo pela frase, entendida como uma confissão de cinismo.

Verissimo, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h08

A informalidade, mesmo no trato de coisas sérias, é uma constante nos Estados Unidos, onde se espera que o homem público faça humor, às vezes à sua própria custa, para parecer um cara despretensioso e legal. Agora mesmo, num debate com outros candidatos a candidato republicano na próxima eleição presidencial, o texano Rick Perry deu um vexame em cadeia nacional - declarou que iria acabar com três agências federais, nomeou duas, mas esqueceu qual era a terceira - e completou a gafe com um "ups" embaraçado. Virou uma anedota: o candidato que não se lembrava da própria plataforma. E o alvo de todos os impiedosos cômicos do país. No programa do David Letterman, o tema da lista dos dez mais que Letterman costuma apresentar todas as noites era as dez melhores desculpas do Rick Perry para o seu papelão. (Exemplos: "Foi culpa do El Niño" e "Eu tinha acabado de saber que o Justin Bieber é meu pai".) E quem leu as desculpas no ar? O próprio Rick Perry.

O "ups" já tinha lhe assegurado a simpatia de metade da população. Quem nunca teve um "branco" parecido? E a participação no programa do Letterman, rindo de si mesmo, lhe assegurou a absolvição. Não se sabe que efeito o episódio terá na sua candidatura, mas ficou provado que Rick Perry é, decididamente, um cara legal.

Cadeiras. O Renato Maurício Prado fez uma boa imagem para descrever o campeonato brasileiro deste ano: é como um jogo de cadeiras musicais. Quando sobrar só uma cadeira e a música parar, será campeão quem conseguir sentar, e não será necessariamente o melhor do campeonato. Que teve o mérito de acabar com o medo de quem dizia que campeonato de pontos corridos fatalmente perderia o interesse quando um time superior disparasse na frente dos outros. Nenhum time disparou, todos ficaram dando voltas nas cadeiras em relativa igualdade de condições, e se não foi um campeonato brilhante nunca deixou de ser interessante. No fim, acho eu, a decisão será entre um time que não tem Dedé e o time que tem Dedé.

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