Reprodução/Nubo
Reprodução/Nubo

Universitários organizam o Nubo, cursinho gratuito para todo o Brasil

Ideia partiu de estudantes para 'democratizar o acesso à educação', explica um dos fundadores, Felipe Marques

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2021 | 05h00

Cursinhos como o Nubo – que oferecem de forma gratuita educação preparatória para o vestibular a alunos de baixa renda de todo o Brasil com ensino a distância por meio de plataformas digitais – já existiam por todo o País, mas essa iniciativa nasceu a partir da união e da ação de um grupo de universitários.

Surgido de uma iniciativa de estudantes da USP vindos da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) em parceria com alunos da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) e da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o Nubo foi criado em 2020 para ajudar a “democratizar o acesso à educação”, como explica um dos fundadores, Felipe Marques, 21, estudante do curso de Economia na FEA. Outras instituições que se uniram para dar origem ao Nubo são o Brasil Cursinhos e o Curso Assistencial Theodomiro Santiago (Cats).

“Como estudantes, a gente tem consciência do privilégio de estar em uma universidade de ponta”, reconhece ele, em entrevista realizada por telefone ao Estadão. Felipe já fazia parte de um cursinho tradicional que já existia na FEA, mas com a pandemia ele decidiu, com outros colegas de USP, montar o Nubo – cujo nome significa nuvem em esperanto, “porque queremos voar como uma nuvem de forma universal sem qualquer barreira, seja física ou social, para levar educação de qualidade a todo o Brasil”, afirma Marques.

A diferença é que o Nubo não é vinculado a nenhuma universidade específica – a equipe, de 15 colaboradores em 2020, já saltou para 46, e conta com alunos voluntários até de outros Estados. Ainda em meados deste ano, o Nubo pretende abrir um processo seletivo para novos voluntários que desejem lecionar. Como a iniciativa é totalmente online, o acesso acaba sendo facultado a pessoas de todo o País. Marques lembra do caso de um aluno que vivia em uma aldeia indígena em Roraima e estudou com o Nubo no ano passado.

Ao todo, em 2020, o cursinho recebeu 950 inscrições e, por meio de um filtro baseado em critérios socioeconômicos, selecionou 545 alunos, sendo que 87% vinham do ensino público, 79% somavam renda familiar de até três salários mínimos, 74% eram mulheres e mais da metade se identificavam como pretos, pardos ou indígenas. Para 2021, a meta do Nubo é matricular mil estudantes. “Alcançamos 19 Estados no primeiro ano. A ambição para este ano é chegar em todos os Estados”, afirma Marques.

A iniciativa pretende continuar mesmo depois que a pandemia se extinguir. “O problema vai muito além da pandemia. Muita gente no Brasil inteiro não tem acesso a um serviço educacional pré-vestibular”, acredita o estudante. Por isso, o material do Nubo é focado no Enem, o vestibular mais abrangente do País. É justamente por essa razão também que Marques já pensa no futuro do projeto, quando ele próprio não estiver mais na Universidade. “A tendência natural é que a gente seja desvinculado, mas que o Nubo tenha sempre um corpo de voluntários composto de estudantes, não necessariamente vai ser vinculado a uma universidade específica, algo como uma ONG”, afirma ele, com esperanças. O cursinho Nubo está com inscrições abertas até o dia 16 de abril. 

Confira o edital de seleção: bit.ly/ProcessoSeletivoNubo2021

Inscrições estão abertas até 16/4: bit.ly/InscricoesNubo2021

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