Unicef e MTV lançam campanha anti-HIV para adolescentes

O público jovem está no centro de uma iniciativa da MTV, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na próxima sexta-feira, quando se celebra o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Em parceria com o fundo, a TV vai transmitir 16 vídeos de curta duração para a conscientização sobre a realidade do HIV/Aids no Brasil. Além disso, a emissora vai apresentar o documentário Sexpress, produzido no Brasil e em outros países pela rede de TV especializada em música. O material vai fazer parte de um kit que será distribuído em 21 mil escolas de Ensino Médio em todo o País e que deverá alcançar mais de 7 milhões de adolescentes no próximo ano, dentro do programa Saúde e Prevenção nas Escolas, realizado pelos Ministérios da Educação e da Saúde, Unicef e Unesco. O documentário Sexpress será exibido nesta sexta-feira, das 23h às 0h, com jovens falando abertamente sobre sexo, drogas, rock´n´roll, machismo, homofobia e hipocrisia. O foco não é apenas a epidemia do HIV/Aids, mas tudo o que está relacionado à vida deles, assuntos que podem vir a gerar um comportamento de risco. O relato é feito a partir de jovens de três realidades diferentes. As gravações do programa aconteceram em São Paulo, na Cidade do México e em Kingston, na Jamaica, com direção e produção da MTV Brasil e uma colaboração inédita com mais duas MTVs do mundo: MTV Latin America e MTV do Caribe (que se chama Tempo). O documentário foi realizado ainda em parceria com o Unicef e o Staying Alive, uma campanha multimídia e global de prevenção do HIV. O especial, que é traduzido para português, espanhol e inglês, já tem exibição garantida, além de nos três canais já citados, na MTV Espanha e MTV Portugal. Números da Aids no Brasil e no mundo Nos próximos 25 anos, o número anual de mortes por Aids deve dobrar e o tabagismo será o responsável por um décimo de todos os óbitos registrados no mundo. A boa notícia é que os pobres viverão mais e melhor e morrerão menos de doenças infecciosas. De maneira geral, o risco de morrer antes de completar 5 anos cairá pela metade. Os dados fazem parte de um abrangente estudo divulgado recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cujo objetivo era avaliar do que as pessoas vão adoecer e morrer em 2030. Segundo a análise, as mortes anuais por Aids saltarão de 2,8 milhões em 2002 para 6,5 milhões em 2030. Os óbitos relacionados ao tabagismo passarão de 5,4 milhões para 8,3 milhões. As duas maiores causas mundiais de morte permanecerão as mesmas já registradas em 1996: ataque cardíaco e derrame. Seguidas de pneumonia, Aids e doenças pulmonares, como enfisema. E a depressão perderá apenas para a Aids na categoria de enfermidade debilitante. No Brasil, já foram identificados cerca de 433 mil casos de aids. Este número refere-se a identificação do primeiro caso de aids, em 1980, até junho de 2006. A taxa de incidência foi crescente até metade da década de 90, alcançando, em 1998, cerca de 19 casos de aids por 100 mil habitantes. Do total de casos de aids, cerca de 80% concentram-se nas Regiões Sudeste e Sul. O Sudeste é a região mais atingida desde o início da epidemia e, apesar da alta taxa de incidência, mantém-se num processo de estabilização. Na região Sul observa-se aumento das taxas de incidência de casos até 2003, porém com uma provável desaceleração de crescimento nos anos mais recentes. Os novos números da aids no Brasil apontam para uma queda acentuada nos casos de transmissão vertical, quando o HIV é passado da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. A redução foi de 51,5%, entre 1996 (1.091 casos) e 2005 (530 casos). Em 2006, de janeiro a junho, foram notificados 109 casos nessa categoria. Observa-se tendência de crescimento da epidemia nas pessoas com 50 anos ou mais, entre 1996 e 2005. Na faixa etária de 50-59 anos, a taxa de incidência entre os homens passou de 18,2 para 29,8; entre as mulheres, cresceu de 6,0 para 17,3. No mesmo período, há aumento da taxa de incidência entre indivíduos com mais de 60 anos. Nos homens, o índice passou de 5,9 para 8,8. Nas mulheres, cresceu de 1,7 para 4,6. Em 2004, pesquisa de abrangência nacional estimou que no Brasil cerca de 593 mil pessoas, entre 15 a 49 anos de idade, vivem com HIV e aids (0,61%). Deste número, cerca de 208 mil são mulheres (0,42%) e 385 mil são homens (0,80%). A mesma pesquisa mostra que quase 91% da população brasileira de 15 a 54 anos citou a relação sexual como forma de transmissão do HIV e 94% citou o uso de preservativo como forma de prevenção da infecção. O conhecimento é maior entre as pessoas de 25 a 39 anos, entre os mais escolarizados e entre as pessoas residentes nas regiões Sul e Sudeste. Os indicadores relacionados ao uso de preservativos mostram que aproximadamente 38% da população sexualmente ativa usou preservativo na última relação sexual, independentemente da parceria. Este número chega a 57% quando se consideram apenas os jovens de 15 a 24 anos. O uso de preservativos na última relação sexual com parceiro eventual foi de 67%. A proporção comparável em 1998 foi de 63,7%. O país acumulou cerca de 183 mil óbitos por aids até dezembro de 2005.

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