União gay, família, polêmica

União gay, família, polêmica

Há anos fora do armário, diretora fala sobre Minhas Mães e Meu Pai

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Festival de Berlim, em fevereiro. Minhas Mães e Meu Pai vai ganhar importantes prêmios humanitários e até o Teddy Bear, o Urso gay da Berlinale, mas quando é entrevistada pelo Estado, a diretora Lisa Cholodenko ainda não sabe que isso vai ocorrer. Mas ela está feliz só por haver concretizado seu projeto. Lisa conseguiu o aval de duas grandes atrizes - Annette Bening e Julianne Moore -, que formam o par de lésbicas da história. Elas própria é gay. Saiu do armário ainda quando estudante. Não tem problemas em falar do assunto.

"Sou casada com uma música (Wendy Melvoin). Temos um filho, Calder, para o qual tivemos um doador anônimo. E se você quiser saber mais, temos dois cães, Magnus e Rocket." Ela admite que, neste meio do show biz, mesmo quando as pessoas, eventualmente, não saem do armário, há muita tolerância por famílias diferentes como a sua. "Na verdade, vejo tanta loucura ao redor, que minha família me parece um oásis de felicidade. Calder é um garoto maravilhoso."

Filha de judeus ucranianos - e liberais -, Lisa conta que os pais aceitaram sua opção sexual com tranquilidade. "Eles viram logo que sua filha não seria nenhuma delinquente por causa disso." O projeto de Minhas Mães e Meu Pai surgiu do desejo de falar sobre mudanças nos conceitos de família e casamento. "Embora exista uma mentalidade discricionária, principalmente no meio Oeste, o casamento civil entre iguais é uma conquista que não vai recuar. É legítimo que gays e lésbicas, ao casar-se, queiram constituir família."

Na trama de Minhas Mães e Meu Pai, Annette e Julianne têm um casal de filhos. O garoto é desencanado, mas a garota - interpretada por Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton, que ainda não havia estreado em fevereiro - tem curiosidade de saber quem é seu pai biológico. Ela vai atrás do doador de esperma para a produção independente de suas "mães". Entra em cena o personagem de Mark Ruffalo. A história é real? "Não aconteceu comigo e Wendy e também não ocorreu, dessa maneira, com nenhuma pessoa que nos seja próxima. Mas existe muitas vezes essa curiosidade em relação à figura do doador. Alguns cobram, outros não. Por que o fazem? Uma atitude humanitária?"

O roteiro cria essa figura de "intruso". Ruffalo tem um affair com as personagem de Julianne. A família de Annette corre o risco de se desintegrar e ela luta para impedir que isso ocorra. Uma preocupação era não transformar Ruffalo numa caricatura nem num vilão. "Seria uma discriminação às avessas", ela diz. A reação final de Annette, em defesa do "lar", poderá lembrar a alguns espectadores o discurso final de Laura Adani em A Casa Intolerante, clássico da comédia italiana de Mauro Bolognini. Lisa nunca nem ouviu falar do filme, mas puxa a brasa para sua sardinha. "Deve ser bom, não?"

MINHAS MÃES E MEU PAI

Unibanco Arteplex 2 - Hoje, 17h40

Cinemark Eldorado 7 - Amanhã, 21h

Unibanco Arteplex 1 - Segunda (1º/11), 0h

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