Unesco alerta contra 'analfabetismo' entre culturas

Esta é a principal conclusão do relatório 'Investir na diversidade cultural e no diálogo intercultural'

27 de maio de 2010 | 20h32

RIO (EFE) - A Unesco alertou sobre uma nova forma de "analfabetismo" entre as diferentes culturas do mundo que impede o diálogo e o entendimento, causando conflitos. Esta é uma das conclusões mais importantes do relatório "Investir na diversidade cultural e no diálogo intercultural" apresentado nesta quinta, 27, no Rio de Janeiro pela diretora geral da Unesco, Irina Bokova, na véspera do III Fórum da Aliança das Civilizações.

 

"Entender outras culturas é crucial para o sucesso das relações internacionais e muito importante para um futuro pacífico", afirmou Bokova.

 

A diretora do organismo cultural das Nações Unidas assinalou que embora os povos diferentes estejam "mais próximos do que nunca" pela mobilidade geográfica e pela internet, ainda é preciso ter "flexibilidade, abertura e humildade" para tratar com os indivíduos de outras culturas.

 

O documento também diz que embora o processo de globalização seja visto frequentemente como algo negativo, também pode contribuir para "reconfigurar" algumas formas de diversidade cultural graças a ferramentas como a internet.

 

No entanto, o relatório alertou que nem todas as culturas respondem da mesma maneira perante estes processos, por isso é preciso fazer esforços para salvaguardar as expressões culturais ameaçadas.

 

A internet contribuiu para aprofundar a preponderância de poucas línguas, ao mesmo tempo em que ajuda a reviver línguas agonizantes ou mortas.

 

O relatório considera que isto é uma evidência de que a decadência de uma língua é consequência de sua categoria política, social, cultural e administrativa.

 

Ele traz como exemplo o islandês que, embora seja falado apenas por 350 mil pessoas, não está ameaçado, enquanto línguas africanas como o pulaar e o fulfulde, com quatro vezes mais falantes na África, está em perigo devido ao avanço do inglês e da falta de transmissão entre gerações.

 

"A possibilidade de criar um observatório mundial das repercussões da globalização sobre a diversidade cultural deveria ser estudada", propõe o texto em suas conclusões.

 

A Unesco também reiterou a necessidade de incorporar novos interlocutores, especialmente mulheres e jovens, no diálogo entre as diferentes culturas.

 

O III Fórum da Aliança das Civilizações, que será realizado amanhã e no sábado no Rio de Janeiro, será inaugurado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e outros líderes.

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