Uma viagem ao passado de Luiz Paulo Baravelli

Nos últimos anos, Luiz Paulo Baravelli realizou uma espécie de viagem ao passado, recuperando e executando trabalhos que havia projetado 30 anos atrás. O encontro entre o jovem que concebeu essas peças e o artesão maduro que as executou à risca pode ser visto a partir dessa terça-feira, na Galeria Multipla.São 22 peças, que de certa forma revelam a ampla curiosidade do jovem que havia há pouco deixado as salas de aula de arquitetura e dava seus primeiros passos como artista plástico. Combinando os mais diversos elementos e materiais - como acrílico, espelho, madeira e granito -, Baravelli explora questões relacionadas com o espaço arquitetônico e a idéia de paisagem - a figura humana, central em seu trabalho, só surgiria mais tarde.Baravelli conta que chegou a desenhar uma centena desses trabalhos e que 50 deles foram realizados com a ajuda de técnicos, chegando a ser exibidos na segunda metade da década de 60. A decisão de retomar esses planos - minuciosamente detalhados e que foram guardados com grande cuidado - surgiu apenas quando Baravelli se sentiu suficientemente apto para ser ele mesmo o "seu Zé, o marceneiro", brinca. Ele considera ter passado no teste. "Está bem executadinho."Mais uma vez o artista reafirma a importância do artesão do executar o próprio trabalho, revelando um grande orgulho em conseguir vencer os desafios propostos pelo jovem sonhador que assustava marceneiros com seus projetos malucos na conservadora década de 60.Ilusão da pintura - É interessante notar que, mesmo nessas suas experiências com objetos, Baravelli sempre foi um pintor. "No fundo, o que eu estava procurando era reproduzir cenas amplas em imagens concisas", explica o artista. Quanto à diversidade de formas e materiais explorados nos trabalhos da mostra, Baravelli diz que ela é fruto da gula do jovem artista."Eu estava querendo ver o mundo, devorando o mundo com os olhos", conta. Os títulos escolhidos, como Vila Mariana, Peruíbe ou mesmo Torso de um Jovem Constante (referência ao escultor Costantin Brancusi) são sinais de que no fundo o que ele se propunha na época era fazer "um inventário visual guloso e otimista".E esse inventário estava relacionado com o mundo em que vivia. Como explica Olívio Tavares de Araújo no texto do catálogo: "Por mais que tudo, aqui, sejam formas ou sólidos geométricos simples, não se trata realmente de arte abstrata (...). Trata-se de reduções radicais da paisagem a um mínimo de elementos."Luiz Paulo Baravelli. De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, até 14 horas. Galeria Multipla de Arte. Avenida Morumbi, 7.986, tel. 241-0157. Até 28/9. Abertura terça-feira, às 20 horas. Patrocínio: DM9DDB

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