Uma salva de palmas

Evento não festeja apenas filmes - é uma vitrine cada vez maior de estilistas e tendências

Luiz Carlos Merten / CANNES, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Balenciaga, Balenciaga, Balenciaga. Em azul, preto, vermelho, dourado. A maison fez o maior sucesso em Cannes, vestindo algumas das mais elegantes que pisaram no tapete vermelho do maior festival de cinema do mundo. Cannes é uma vitrine - para diretores, autores, artistas. Para estilistas e bijoutiers. Para saber quem vai ganhar a Palma de Ouro do 64.º Festival de Cannes você terá de esperar até o meio da tarde no Brasil. A Palma de Ouro da elegância já foi atribuída.

Onze entre dez comentaristas e especialistas de moda decretaram que, apesar do primado de Balenciaga na montée des marches - e da ousadia de Charlotte Rampling, vestindo um black-tie masculino de Pierre Cardin -, a mais bela, não apenas a mais elegante, foi... Milla Jovovich. A Alice da série Resident Evil desfilou no red carpet de braço dado com o marido, o cineasta Paul W.S. Anderson. Ele não apenas formatou a série adaptada do game como, em seu novo filme, viaja ao passado para fazer de Milla uma Milady para o século 21.

Sim, os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas - Athos, Porthos, Aramis e, naturalmente, D"Artagnan, um por todos e todos por um -, estão de volta e com eles a bela Milla no papel da pérfida Milady. Ela estava deslumbrante na sobriedade de seu vestido Prada cujo decote realçava o talhe longilíneo da ex-top.

Os sapatos, também Prada, a maquiagem (L"Oréal, a egérie que patrocina o festival) e o penteado (por Stephane Lancien, evocando uma antiga dançarina de music-hall) foram elogiados, mas o arremate veio da joalheria.

Os brincos e o anel, de Jacob & Co., foram estrategicamente planejados para brilhar como os olhos azuis da estrela. E ainda havia o toque de elegância retrô da bolsa de Sergio Rossi. Milla arrasou na passarela de Cannes. Face ao seu esplendor, a maturidade andrógina de Charlotte Rampling foi muito notada. Charlotte faz a mãe da noiva e aparece na primeira metade de Melancolia, o filme de Lars von Trier que desencadeou o escândalo do festival. O autor dinamarquês foi banido pela cúpula de Cannes por suas declarações nazistas e antissemitas - ele diz que estava brincando -, mas até que a decisão fosse tomada, na manhã do dia seguinte, duas das estrelas do filme tiveram seu momento de brilho no red carpet.

Charlotte Gainsbourg - melhor atriz pelo opus precedente de Von Trier, Anticristo, em 2009 - está grávida de sete meses. Ela não teve problemas em exibir a barriga num modelo transparente de Balenciaga, com sandálias da marca.

Jodie Foster usou outro modelo Balenciaga - ombros nus, folga no busto e a saia longilínea que escorria grudada às pernas. As joias, discretíssimas, eram puro ouro Cartier. Jodie veio mostrar, fora de concurso, Um Novo Despertar, com Mel Gibson, que estreia na próxima sexta. O tempo todo foi acompanhada pelo "namorado", Rob Lowe. Por falar em casal, nenhum desperta mais atenção do que o formado por Brad Pitt e Angelina Jolie. A imprensa norte-americana chegou a criar uma sigla para se referir à dupla: Brangelina. Ela fez a montée des marches de A Árvore da Vida, o longa de Terrence Malick, ao lado dele. Usava um supermodelo azul do atelier Versace. O que todo mundo comentou foi a fenda que deixava à mostra um pedaço da coxa. É o must como tendência da temporada de inverno deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.