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Uma reflexão sobre identidade é o que propõe mostra no Itaú Cultural

'Corpo, Memória e Autoria' começa nesta quinta e fica em cartaz até domingo

Helena Katz , Especial para o 'Estado'

02 de maio de 2012 | 21h40

Embora o nome não indique bem o que vai apresentar, a iniciativa continua sendo bastante louvável. Corpo, Memória e Autoria - Uma Conversa Sobre os “Entres”, atividade que se inicia nesta quinta-feira, 03, no Itaú Cultural, nasce de uma outra relação entre artistas e espaços que programam dança.

Tudo começou quando a artista da dança Ana Catarina Vieira mandou uma mensagem para Sônia Sobral, gestora do Núcleo de Artes Cênicas do Instituto Itaú Cultural, propondo um espaço para discutir as formas com que quatro artistas específicos (ela, Ângelo Madureira, Luis Ferron e Daniela Dini) vinham lidando com os seus processos de criação. “Para mim, é um privilégio poder fazer essa oportunidade existir, e estou apostando tanto nesse novo formato, que espero que possa se transformar em uma plataforma”, explica Sônia. “Vejo essa nova forma de trabalho como um estímulo enorme para que qualquer instituição identifique se está, de fato, conversando com as necessidades da produção artística e com o público.”

De quinta a domingo, esses quatro artistas se transformam em curadores. Cada qual montou uma noite com dois convidados. São os escolhidos de Luis Ferron que abrem a programação: Faça Algum Barulho (Make Some Noise), com a Companhia Rui Moreira, de Belo Horizonte, e Hot 100 - The Hot One Hundred Choreographers, de e com Cristian Duarte e Rodrigo Andreolli. Na sexta é a vez de Daniela Dini, que reuniu o grupo Movi, de Paraisópolis (Corpo Diva), com Helder Vasconcelos (Espiral Brinquedo Meu), do Recife. As obras a serem mostradas no sábado e domingo vão fazer parte da Virada Cultural. No sábado, apresentam-se as escolhidas por Ângelo Madureira (Nervura, de Gícia Amorim, e Interferência Inacabada... Preste atenção no Ruído ao Fundo, de Vanilton Lakka, de Uberlândia), e no domingo, as selecionadas por Ana Catarina Vieira (Anatomia das Coisas Encalhadas, de Sílvia Moura, de Fortaleza, e Eu Sou uma Fruta Gogoia em Três Tendências, de Thelma Bonavita).

Quem acompanha a cena da dança contemporânea, deve estar se perguntando como ligar Rui Moreira a Cristian Duarte, ou Gícia Amorim a Vanilton Lakka, uma vez que cada um deles desenvolve um trabalho autoral, sem sintonia direta com o do outro. Além disso, fica também a questão de identificar que fio costura essas quatro noites. Mas o fato de a associação não ser imediata pode vir a se constituir na melhor parte, pois estimula que se busque um argumento para explicá-la. Os bate-papos planejados para o fim de cada espetáculo, nesse caso, terão função importante.

Trata-se de uma oportunidade também para se perceber que o modo como as obras são programadas contam a maneira como elas podem ser percebidas. Porque quando se coloca uma criação ao lado da outra, promove-se uma espécie de contato por proximidade que pode fazer surgir novas associações.

Quando estão juntas, uma obra ilumina a outra. E quando essa junção vem dos artistas e encontra abrigo institucional, algo pode estar se movendo no engessado modo de se trabalhar com curadoria.

CORPO, MEMÓRIA E AUTORIA

Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1776. 5ª a sáb., 20 h; dom., 19h50. Sáb. e dom. integra a Virada Cultural. Grátis. Até 6/5.

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