Uma produção que toca nas dores da humanidade

A mostra Luc Tuymans recria quatro séries originais do artista influenciado pela técnica da montagem cinematográfica. At Random (1994) explora a capacidade de percepção por meio de traços que desorientam. Às vezes, o título das telas ajuda a reconhecer o objeto retratado, como The Doll, The Leg e Self-Portrait. Der Architekt (1998) é série dedicada ao Holocausto. Tuymans se debate com o fato de que certos eventos desafiam a representação.

Francisco Quinteiro Pires ESPECIAL PARA O ESTADO CHICAGO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

Os quadros monocromáticos falam da obsessão nazista pela pureza racial em contraste com os seus atos depravados. Himmler se baseia em retrato de Heinrich Miller, oficial da SS. K.Z. incorpora no título a abreviação para campo de concentração e enquadra apenas a porção do campo que poderia ser mostrada para inspetores estrangeiros.

O artista confronta em Mwana Kitoko (2000) o legado brutal da presença belga na República do Congo, colônia entre 1908 e 1960. The Mission faz referência ao local onde Patrice Lumumba foi educado. Primeiro-ministro eleito democraticamente após a independência do país africano, Lumumba foi assassinado em 1961.

Chalk lembra o relato do policial que arrancou dois dentes do cadáver do líder político. O 11 de Setembro e a presidência de George W. Bush são abordados em Proper (2005). A série revela um país sobressaltado com a tarefa infrutífera de manter a imagem de poder e normalidade. Condoleezza Rice, The Secretary of State é retrato autoexplicativo.

O cotidiano vigiado por câmeras de segurança se apresenta em The Parc. Densas nuvens de pó tratam do desabamento das Torres Gêmeas em Demolition e da dificuldade de entender com clareza o significado da tragédia. Como parte da exibição do Museum of Contemporary Art, de Chicago, no início deste mês Tuymans pintou três murais no átrio do 2º andar. As obras se inspiram nas estátuas da Basilica di Santa Croce, em Florença.

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