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Uma princesa para latinos e hispânicos chamarem de sua

'Elena de Avalor', nova série animada da Disney, foi planejada para refletir a cultura dessas comunidades

Brooks Barnes, THE NEW YORK TIMES

31 Julho 2016 | 04h00

LOS ANGELES - “Finalmente, chegou a minha vez.” As palavras, da princesa Elena no primeiro episódio de Elena de Avalor, nova série animada do Disney Channel, pretendem dar ideia de poder. É a adolescente apimentada reclamando seu reino tropical que lhe foi arrebatado por uma feiticeira má. Mas a frase tem duplo sentido deliberado. Com Elena, a Disney criou – finalmente – sua primeira princesa latina.

“As comunidades hispânica e latina esperavam uma princesa que refletisse sua cultura”, disse Nancy Kanter, diretora executiva da Disney, que supervisiona a série, que já estreou nos EUA, mas não tem previsão para o Brasil, juntamente com o lançamento dos itens promocionais do parque temático.

Será que Elena será bem-sucedida ou, como algumas de suas colegas reais, pode entrar em conflito com a tropa de choque dos críticos das princesas?

Poucos temas na área de entretenimento são motivo de preocupação quanto as princesas da Disney, cerca de uma dúzia de personagens com as pioneiras Cinderela e Branca de Neve, verdadeiras minas de ouro da companhia, e também motivos de controvérsia cultural. Os que as adoram (as princesas são lindas e vivem felizes para sempre!) e os que as desprezam (por promoverem um estereótipo feminino negativo e imagens corporais irreais) não abrem mão de suas opiniões. Os que se dedicam ao seu estudo ressaltam sua influência negativa na sociedade, embora ao casar, as mulheres façam questão de se vestir como elas.

Se acrescentarmos a questão da raça e da etnia, como está acontecendo com frequência com as heroínas dos filmes de animação da Disney, teremos um campo minado, principalmente porque a animação envolve por sua natureza a caricatura. Em 2009, quando a Disney lançou sua primeira princesa negra, Tiana, cada parte do filme A Princesa e o Sapo foi dissecada.

Consciente do exame ao qual Elena de Avalor será submetido, a Disney embutiu em cada episódio de 22 minutos o folclore e as tradições culturais latinas. Avalor tem uma arquitetura de inspiração asteca. Os episódios incluirão canções originais que refletem estilos musicais como mariachi, a salsa e o hip-hop chileno. “Vários consultores nos assessoraram. Queríamos ter certeza de que ela não parecesse uma boneca e evitar o romantismo piegas. Obviamente, como todas as adolescentes ela tem amigos, mas não queríamos nada de ‘Oh, eles se amam’”, disse Nancy Kanter.

O primeiro episódio, distribuído por um aplicativo do Disney Channel em 1.º de julho, teve uma resposta positiva. “Ficamos surpresos com a excelente concepção dos personagens”, disse Axel Caballero, diretor executivo da Associação Nacional de Produtores Latinos Independentes. “Este filme será um marco.”

Mas Elena de Avalor já suscitou indagações sobre a igualdade no tratamento dado às princesas como essa: Por que a Disney lança essa princesa numa série de TV para crianças de 2 a 11 anos e não num filme para a família toda, como as colegas de Elena?

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