Uma pitada da cozinha internacional no Le Tan Tan

Muito interessante e criativa a cozinha do jovem chefe Adilson Soares, que voltou ao Le Tan Tan depois de uma proveitosa passagem por Nova York. Os seus pratos ousam realmente e alguns misturam com sucesso técnicas da cozinha internacional com ingredientes bem brasileiros. Como é normal e esperado, nem todas as alquimias funcionam.No mais, o Le Tan Tan continua sendo um restaurante "descolado", moderno e mais adaptado aos dias quentes que se aproximam, pois é aberto e arejado. Pé direito alto, janelões e espaço ao ar livre. Ele fica numa travessa da Pedroso de Moraes, na altura da Fnac, e tem fachada atraente com muita madeira e vidro. Na entrada, um bar agradável, com o ambiente ao ar livre ao fundo. O salão meio quadrado abriga umas 14 mesas espaçosas e umas sete menores. Poltronas coladas às paredes e cadeiras estofadas com pés-palito, como nos anos 50. As paredes de um vermelho vivo, as armações de madeira que sustentam o teto e o duto do ar condicionado de tecido dão um ar meio rústico ao ambiente.O Le Tan Tan conseguiu manter a qualidade em seus três anos de vida. O chefe Adilson Soares já passou pela casa e conseguiu imprimir o seu toque. Ele foi substituído pelo também competente e criativo Frank e agora volta a comandar as panelas da casa, depois de vários estágios em Nova York.Difícil decisão - O seu cardápio é mais do que atraente, cria muitas dúvidas em quem vai escolher os pratos, o que é um sinal positivo. Nele, duas porções de salgadinhos para acompanhar os aperitivos (pastéis de carne seca, queijo de cabra e cebolinha, R$ 9 e bolinhos de arroz com parmesão, R$ 6); 6 entradas entre R$ 10 (sopa fria de milho verde com quenelle de queijo de cabra) e R$ 17 ( refogado de camarão com abacate, palmito e castanhas de caju); 4 massas entre R$ 20 (risoto de grãos) e R$ 28 (fetucine com mexilhões de Santa Catarina ao pesto asiático); 4 peixes e frutos do mar entre R$ 23 (pescada cambucu com acelga e musseline de mandioquinha) e R$ 32 (camarão com missô e gergelim); 5 aves e carnes entre R$ 22 (supremo de frango recheado com lingüiça e espinafre, com molho do assado e batata) e R$ 34 (duo de pato com purê de inhame e tamarindo) e 6 sobremesas entre R$ 6 (sopa de manga com sagu e sorvete de chá verde) e R$ 7 (musse de chocolate branco com bananas na cachaça). Nos almoços, a casa propõe semanalmente um menu com 3 entradas, 4 pratos princiais e 3 sobremesas. O cliente que ficar apenas com o prato principal paga R$ 18, o que preferir uma entrada e o prato principal paga R$ 24, aquele que optar pelo o prato principal e a sobremesa paga R$ 23 e o menu completo sai por R$ 29. O serviço é simpático, mas não muito profissional e entrosado. O maître e sommelier francês Michel Parant tem longa experiência e as moças e rapazes que servem as mesas são esforçados. A carta de vinhos, limitada demais, não está à altura da cozinha, embora tenha alguns bons exemplares, como o Côtes du Rhône Perrin 1998 (R$ 50). O jantar agradou bastante, a começar pelos pastéis de carne seca com queijo de cabra. O nível foi mantido nas entradas: salpicão de siri com salada de erva doce e maçã verde (R$ 15, com bastante carne de siri muito bem complementada pela salada); refogado de camarão com abacate, palmito e castanha de caju (bom o contraste do tempero meio forte dos camarões bem durinhos com os toques meio adocidados da salada) e creme frio de milho verde com quenelle de cabra (gostoso o caldo de milho verde, que poderia ter mais gosto do cereal e excelente, meio ácida, a quenelle de queijo de cabra, uma espécie de pasta com ervas aromáticas que contrastava agradavelmente com o doce do milho). Entre os pratos principais, o melhor foi o conservador jarret de vitela servido com uma criativa combinação de feijão mulatinho com vagens. O jarret vem a ser o ossobucco numa peça inteira e não cortado em fatias. O do Le Tan Tan estava ótimo, soltando do osso. Muito bom ainda o frango (bem úmido, saboroso) recheado com lingüiça e espinafre. A gordura da lingüiça deve ajudar a evitar que o frango fique seco demais. Não tão boas as costelinhas de cordeiro, que poderiam ser mais tenras. Elas vieram acompanhadas pelo caviar de berinjela (uma espécie de pasta feita com as sementes do legume) e molho de manjericão. Gostosas, ainda, as sobremesas, o suflê de chocolate com sorvete de inhame (suflê gostoso, sorvete meio neutro); salada de manga com sagu e sorvete de chá verde (sorvete interessante, lembrando chá mate) e frutas da estação com água de flor de laranjeira (uma salada de frutas). Café expresso correto. Um deles veio meio frio. Toque de café "caturra", não do gênero arábica.

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