Uma outra moda

Discussão sobre a diversidade criativa marca edição 2012

FLÁVIA GUERRA , VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h09

Começa hoje a semana de moda mais importante do País. A São Paulo Fashion Week abre as portas com a exposição Universo Criativo - Projeto Brasil 2, no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Ali estão reunidos trabalhos de estilistas e de fotógrafos conhecidos como Adenor Gondim e Gui Paganini.

A ideia é mostrar a diversidade de culturas - há, por exemplo, o primeiro ensaio de moda feito com índios xikrin por Claudia Andujara em 1970 - a riqueza das ideias e das soluções que levam a novos horizontes.

A reflexão proposta pela direção do evento não poderia ser mais apropriada. A moda passa por grandes transformações, assim como a forma de apresentá-la ao público. E nesta busca pelo eterno novo da moda, vale tudo. Vale quebrar paradigmas e propor uma alta moda para todos, como faz a inglesa Burberry, que não só exibe seus desfiles da London Fashion Week ao vivo em telões espalhados pela cidade, como também disponibiliza em tempo real a venda online de tudo o que foi desfilado.

Vale a Mara Mac, que, há uma semana no Rio, em vez de desfile, preparou vídeo para mostrar as criações. Vale Carlos Miele, que deixou há tempos o calendário brasileiro para desfilar somente na Semana de Nova York. Vale Alexandre Herchcovitch e Iódice, que mostraram em NY, em fevereiro, as coleções que apresentarão aqui nesta semana.

E vale principalmente a estratégia de Pedro Lourenço que, nove dias antes da abertura da SPFW, exibiu sua coleção na semana de moda de Nova York. Poucas horas depois, todos os modelos - os mesmos que serão apresentados na SPFW- estavam no site Style.com. "É estratégia de negócio. Não dá para fazer moda sem pensar no mercado externo", diz Camila Toledo, do Stylesight, portal de tendências. "Mas com certeza quebra a grande expectativa que gera um desfile. Não há surpresa na passarela." Amanhã, ao meio-dia, Pedro apresenta sua coleção em seu showroom. "Não será um grande desfile. É uma apresentação para que compradores e jornalistas vejam caimento, silhueta, a proporção dos modelos."

Trata-se de uma coleção comercial. Como ele afirma: "Mostro o que de fato será vendido. Porém, não abro mão da qualidade. Faço um produto de luxo".

A SPFW, no entanto, sempre foi espaço para se mostrar conceito. E isso quer dizer, pôr na passarela roupas que provavelmente o consumidor não usaria na rua, mas que expressam o DNA da marca. Osklen, Herchcovitch e Gloria Coelho são alguns dos que fazem isso. O limite para virar uma feira de negócios é, no entanto, bem tênue.

Há cada vez mais grifes que levam à passarela a roupa que o consumidor de fato verá na loja. "Depois da inclusão da classe C no mercado, muitos passaram a questionar o público final", diz Alberto Hiar, dono da Cavalera - que vai fazer seu desfile na Estação da Luz. "Decidi não baixar a qualidade, nem produzir em massa, para ampliar vendas. Muita marca decidiu seguir o caminho oposto. " Um modelo da Cavalera tem no máximo 200 unidades iguais. E na passarela há sempre peças exclusivas.

Globalizar sem perder o conceito é o grande desafio dos novos tempos. "A SPFW não vai virar feira de negócios", garante o organizador Paulo Borges. "Não se pode confundir uma semana de moda com uma feira. Mas uma não exclui a outra. SPFW, Milão, Paris, Nova York apresentam o que melhor define a imagem da marca, o que a grife entende ser mais importante para provocar o desejo."

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