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Uma nova geração assume a criação de grifes na moda da Itália

Alteração garante relevância para os próximos consumidores

Maria Rita Alonso, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2015 | 18h00

MILÃO - A moda italiana passou por uma reviravolta nessa última temporada. Cabeças de consagrados estilistas rolaram e uma nova geração tomou a frente da criação, elevando o nível dos desfiles. O trono de diretor criativo da Gucci está ocupado agora pelo romano Alessandro Michele, um hippie de barba e cabelos longos, que vive de camiseta branca, jeans surrado. Ele tem 42 anos e passou os últimos 10 como assistente da antiga estilista, Frida Giannini, até que em janeiro foi alçado ao cargo de criador número 1 da casa. Em seu terceiro desfile para a grife, já vem sendo apontado como a grande estrela fashion da Itália, liderando uma nova era na moda, mais libertária e boêmia. 

Na passarela da Gucci, 64 looks apresentaram uma mistura de popstar dos anos 70 com a estética geek do Vale do Silício. As inspirações, segundo Michele, vieram de toda a parte: da dinastia Tudor, das flores (em estampas variadas em vestidos e bolsas), dos insetos e répteis (em formatos de broches, bordados, brocados) e dos arquivos da própria marca. 

Os vestidos de noite surgiram leves, com tules de seda transparentes e sem forro. Calças de cetim verde, saias de lantejoulas e lurex listrados, coloridos e pop estavam ali também. “Cada peça da coleção é tratada como um objeto único, com motivos, padronagens e emoções próprias”, disse o estilista.

Outras estreias aguardadas foram a do estilista Peter Dundas, ex-Emilio Pucci, na grife Roberto Cavalli, e Massimo Giorgetti, que comandava uma marca própria e ficou no lugar de Dundas na Pucci. “Estou adorando essa dança de cadeiras na moda da Itália. A mudança trouxe uma energia nova e um jeito de pensar mais livre para as passarelas”, avalia a consultora Costanza Pascolato, de Milão. 

O fato é que há um forte desejo na indústria da moda de manter a relevância para a próxima geração de consumidores. A coroação desses estilistas representa um novo momento nos negócios das grifes de luxo, nos quais executivos e CEOs se encarregam agora de detectar talentos capazes de criar identificação com a parcela mais jovem da clientela. “O mundo está mudando e precisamos evoluir com ele”, afirmou Mauro Grimaldi, novo executivo-chefe da Pucci.

Fã de rock indie, Massimo Giorgetti apresentou, ao som de hits da banda The Strokes, uma série de estampas inspiradas nas costas de Capri e na Côte D’Azur, que já foram mote na década de 50 para roupas assinados pelo fundador da casa. Os vestidos eram soltos, assimétricos, com destaque para as cores fortes. Ao encostar as estampas que marcaram a década de 60 e são o grande símbolo da grife, no entanto, Massimo dividiu opiniões entre as editoras (muitas gostaram) e as clientes (que em geral torceram o nariz). “Ele mudou as coisas para pior. Não parece mais a Pucci”, avaliou a blogueira e consumidora brasileira Lala Rudge, que acompanhou o desfile. 

Já Dundas, agora na Cavalli, foi mais certeiro, em termos comerciais. Ele aposta em uma moda sexy e feita sob medida para os tapetes vermelhos, com decotes, minicomprimentos recortes laterais e vestidos justinhos de um ombro só. Não foi uma estreia brilhante, mas pode ser considerada promissora.

Enquanto isso, a velha-guarda se armou trazendo novidades de toda ordem às passarelas. Donatella Versace convocou uma tropa de modelos lindíssimas (Isabeli Fontana e Carol Trentini, entre elas) para mostrar sua melhor coleção dos últimos anos. Com estampas camufladas e modelagens de inspiração militar, justas, curtas provocantes, bem ao estilo Versace, o desfile acabou sendo um dos mais festejados da semana. Donatella soube aliar looks de couro, peças de alfaiataria, além de contar com uma cartela de cores linda, com tons poderosos de vinho e verde.

Dolce & Gabbana deu show de tecnologia e conectividade, promovendo uma homenagem à Itália e colocando em cena modelos com celulares nas mãos fazendo selfies, que eram projetadas em telões ao redor da passarela. A marca mostrou bordados com as imagens de atrações turísticas como as gôndolas de Veneza e a basílica de Santa Maria di Fiore, em Florença. 

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