Uma nova descoberta sobre Canudos

Um ano depois dadestruição do povoado de Canudos pelas tropas do Exército, areconstrução do povoado recomeçou. É o que defendeu ontem ohistoriador Manoel Neto em uma das mesas-redondas da SemanaEuclidiana, que ocorre na cidade em que o escritor Euclides daCunha (1866-1909) produziu grande parte de Os Sertões, suamais consagrada obra. Neste ano, são comemorados cem anos de publicação dolivro, um dos mais discutidos e festejados da literatura brasileira. As pesquisas de Manoel Neto, pesquisador do Centro deEstudos Euclides da Cunha, da Universidade Estadual da Bahia,antecipam para 1898 o ano do retorno de habitantes para a áreadestruída. Normalmente, a data utilizada para marcar essa voltaé 1910. O fato é significativo porque pode ajudar a reconstituire explicar a história dos primeiros anos da região de Canudosdepois do massacre de 1897. Segundo Neto, o relato oral é confirmado pelosalvo-conduto concedido pelo jornalista Lélis Piedade à famíliade João Reginaldo de Matos, conhecido como João de Régis, hojecom 95 anos e uma das mais importantes fontes orais de pesquisassobre a história da região. Piedade, como Euclides, foicorrespondente de guerra; depois tornou-se membro de umaentidade chamada Comitê Patriótico da Bahia, que colaborou noatendimento médico de militares e sertanejos vítimas doconflito. Também favorecem essa hipótese vários depoimentos queapontam que o coronel José Américo Camelo foi consultado eautorizou a reocupação de antigas propriedades e a reconstruçãode casas no local. Como Camelo, nascido em 1839, morreu em 1902,essas consultas indicam que no início do século já havia ummovimento de reocupação de Canudos. Segundo João de Régis, "ocoronel José Américo autorizou, agora quem ajudou foi o coronelJanjão de Macedo", que era intendente de Monte Santo. O resultado das pesquisas de Manoel Neto deve serpublicado em 2003, num livro intitulado Canudos - 1898-1969: AReconstrução do Arraial. Depois de um longo processo dereconstrução, a cidade foi transferida para a construção de umaçude. Comparação - Manoel Neto participou de uma mesa-redondacom o historiador Marco Antônio Villa, autor de Canudos: OPovo da Terra. Villa fez uma comparação das reportagensenviadas por Euclides para O Estado de S. Paulo , jornal queo enviou como correspondente, com os episódios da guerra queintegram Os Sertões. Entre os casos que apontou, estava o domenino Agostinho, que nega haver milagres atribuídos a AntônioConselheiro. Euclides, na reportagem, afirma que a entrevistacom o menino é de um valor inestimável, mas não o inclui em OsSertões. Na opinião de Villa, porque o informante nãorespaldava sua tese de Canudos como uma comunidade milenarista.

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