Uma nova concepção de concerto

A música do nosso tempo nos convida a uma nova concepção de um dos gêneros mais festejados ao longo da história: o concerto. A terceira apresentação da Camerata Aberta sob comando do regente francês Guillaume Bourgogne mostrou músicas de alta qualidade de invenção e capazes de estabelecer comunicação instantânea com o público.

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

As quatro obras apresentadas quarta no Auditório do Masp fazem recortes diferentes da forma concerto. A violinista franco-americana Elissa Cassini encantou os ouvidos de quem a assistiu em performance excelente do miniconcerto para violino do francês Philippe Leroux intitulado Aller, escrito em 1994-95. Ela dialogou com os demais instrumentos, numa curiosa troca de papéis, em que o solista atua basicamente como coadjuvante em relação à orquestra. Na segunda parte, Trame IV, obra de 2001 do argentino Martin Matalon, 52 anos e há 17 radicado na França, escancarou-se mais a vontade do compositor em emular não só a gestuália, mas o discurso pianístico do solista (no caso, o ótimo Horácio Gouveia). A peça de Matalon parece, no entanto, esgotar-se na busca do efeito. O contraste não poderia ser maior em relação a Asko Concerto, composto em 2000 por Elliott Carter. É um concerto grosso, forma barroca que antecedeu o concerto solista; propõe um pequeno grupo de solistas contraposto ao tutti orquestral. É uma das peças mais atraentes de um criador genial, comparável à dos pioneiros do século 20.

O saldo da temporada de Bourgogne com a Camerata Aberta é positivo. O grupo começa a se soltar. E o repertório dos três concertos foi exemplar. Faltou, quem sabe, um pouco mais de música brasileira atual. Afinal, não estamos no Ircam, Lucerna ou Royaumont.

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