Uma nova chance para ver Hagoromo

 O FIT Rio Preto deste ano propôs apenas duas estreias nacionais: Marcha para Zenturo, criação do Espanca! com o grupo XIX de Teatro, e Otro, peça de Enrique Diaz que, apesar de já ter passado pelo Ri, chegou à cidade do interior paulista em nova versão. Grande parte da programação do evento, portanto, elegeu espetáculos já vistos anteriormente.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

Mas soube manter o frescor ao preocupar-se em desvelar propostas, em jogar luz sobre montagens que não tiveram a notabilidade devida em suas praças de origem. É este o caso de Hagoromo - O Manto de Plumas, dirigido por Fábio Mazzoni. Apesar da temporada em São Paulo, Hagoromo passou despercebido do grande público e da imprensa especializada

Com coreografia e interpretação de Emilie Sugai, a montagem recria para a linguagem da dança um texto clássico do teatro Nô. Nesse território de tradição, porém, o trabalho constrói uma poética contemporânea.

No palco quase no escuro, delineado por uma luz difusa, Sugai vive dois personagens: o pescador Hakuryo e o anjo do céu budista Tennin, que vem à Terra recuperar seu manto de plumas.

A ação beira a imobilidade. Os movimentos da intérprete são lentos, capazes de transportar o espectador para outra experiência de tempo e de espaço. Em sua simplicidade, Hagoromo parece surgir como a própria concretização do conceito de singularidade desta edição do festival.

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