Renato Rocha Miranda/Divulgação
Renato Rocha Miranda/Divulgação

Uma nota, Maestro

Globo usa música para seduzir audiência na nova novela das 7

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h08

Diz o antropólogo Hermano Vianna, pesquisador musical contratado pela Globo como consultor da nova novela das 7, que "não há personagens com perfil tecnobrega" em Cheias de Charme. Mas o universo do gênero musical inspira toda a concepção da trama. Além de apresentar dois novos roteiristas como autores titulares de novela - é o folhetim de estreia de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira -, a trama que estreia amanhã tem na trilha sonora um capítulo à parte.

"Trata-se de uma novela atípica nesse sentido", confirma o produtor musical da trama, Sérgio Saraceni. "A direção da novela me encomendou seis canções que fazem parte da dramaturgia, músicas que são compostas e interpretadas por personagens", conta. "Essas seis que compus têm letra de Ronaldo Monteiro de Souza. Outras três canções foram encomendadas pelo diretor musical da Globo, Mariozinho Rocha, aos compositores Michael Sullivan e Carlos Colla."

Vá lá, é uma novela sobre cantores de sucesso. Basta dizer que a vilã, Chayenne, papel de Cláudia Abreu, dá vida a uma cantora pop na linha Gaby Amarantos - e a própria Gaby ostenta o tema de abertura da novela, Ex My Love. Ricardo Tozzi agora é Fabian, cantor da vertente batizada como sertanejo universitário. E as domésticas da história, o trio Isabelle Drummond, Thaís Araújo e Leandra Leal, vão se descobrir popstars lá pelo meio da novela.

Todo esse contexto conspira a favor do lançamento de um CD gravado pelo elenco. A ouvir.

O antropólogo Hermano Vianna, no entanto, defende as distinções entre a trama e o tecnobrega, gênero que tem Amarantos como ícone. "A Chayenne é uma cantora de forró. O Fabian é um cantor sertanejo de estilo mais universitário. Rosário, Penha e Cida (as domésticas) gostam de vários gêneros musicais. A música de abertura cantada por Gaby Amarantos não pode ser classificada como tecnobrega - é um brega paraense mais tradicional, com toques de guitarrada."

Segundo o antropólogo, "o objetivo é mostrar um panorama bem diverso do gosto musical brasileiro hoje". "Na trilha sonora", continua, "com músicas para cada personagem, essa diversidade fica ainda mais evidente: temos de Tulipa Ruiz a Alcione."

Para uma emissora que um dia já encomendou canções a Chico Buarque e Tom Jobim para suas produções é de se crer que a Globo esteja mais disposta a oferecer o que a massa quer do que a sugerir-lhe novas opções de repertório. No lançamento da programação 2012 da Globo, o diretor-geral Octávio Florisbal enalteceu a importância da nova classe C para o ibope da Globo. Vianna, entretanto, ressalta que "a música em nosso país sempre conseguiu criar 'links' entre classes sociais e regiões geográficas diferentes". "A novela reflete essa realidade", completa.

"Encontraremos gente de todas as classes sociais em shows dos Aviões do Forró em Fortaleza ou de Gusttavo Lima em Goiânia", fala. "A música, em vários momentos da história brasileira, tem tido esse poder de colar pedaços de nossas cidades partidas. Os preconceitos não resistem ao passinho da moda."

Na era da web. A novela incorpora também muitas das características da produção musical contemporânea, pós-internet, quando muito mais gente tem possibilidade de gravar e divulgar sua música, ressalta Vianna.

Se você ainda não conhece Gaby Amarantos, vá ao Youtube (http://tinyurl.com/7r8sotv). Diz o refrão chiclete: "Ex my love, ex my love, se botar teu amor na vitrine, nem vai valer 1,99".

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