'Uma noite em 67' revive festival de música da Record

Após ser exibido no É Tudo Verdade, maior festival de documentários do País, "Uma Noite em 67", dos diretores Renato Terra e Ricardo Calil, estreia hoje nos cinemas. O festival foi uma vitrine e tanto para o filme que surgiu como desdobramento da monografia de conclusão do curso de Comunicação de Renato Terra, em 2003. Ele se debruçou sobre a era dos grandes festivais de música, nos anos 1960/70. Decidido a fazer um longa documentário, chamou seu amigo jornalista, Ricardo Calil. Trabalharam cinco anos no projeto, ganharam apoio da Videofilmes e da TV Record, que abriu seu arquivo.

AE, Agência Estado

30 de julho de 2010 | 09h13

"Uma Noite em 67" é o tipo do filme que levanta o público e Terra e Calil já se acostumaram a ver espectadores exaltados - e eufóricos com o que para muitos ainda é uma novidade. "Uma Noite em 67" dirige seu foco para a noite de encerramento do Festival da Record de 1967, talvez o mais emblemático dos festivais de música ocorridos no País. Algo decisivo ocorreu naquela noite. O Brasil vivia sob uma ditadura e o palco virou cenário de uma disputa ideológica. A guerra da canção de protesto com a guitarra elétrica, símbolo da dominação imperialista, que Gilberto Gil usou em "Domingo no Parque".

Colocar guitarra elétrica na MPB era considerado de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra, eram de esquerda. Houve um clima de radicalismo - um Fla-Flu musical, como define Calil. "Não quisemos fazer um filme didático, mas trabalhar o emocional, entregando ao público um documentário que as pessoas precisam completar." E elas completam - e como! Quatro músicas dominavam a competição - "Ponteio", "Domingo no Parque", "Roda Viva" e "Alegria, Alegria". "Até hoje elas polarizam as opiniões. Tem gente que reclama por que Alegria, Alegria não ganhou, ou Roda Viva". O público que viveu a época agradece aos diretores por trazê-la de volta. Os jovens, porque o filme os projeta num mundo que não conheceram.

Embora o desfecho seja conhecido, o formato é de thriller, com direito a suspense. "Daniela Thomas deu um retorno muito interessante", conta Calil. "Ela considerou o filme hitchcockiano." Os diretores já foram sondados para levar "Uma Noite em 67" ao Festival de Roterdã. "Não fechamos nada, mas acho legal. Esses artistas possuem grandeza, têm uma carreira internacional, há demanda pelo filme." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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