Uma noite de festa

Faltou coerência na premiação, mas os melhores foram para o pódio

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2012 | 03h07

Havia concorrentes mais fortes ao Redentor de melhor interpretação masculina - Wagner Moura em A Busca, Irandhyr Santos em O Som ao Redor. Mas o júri do Festival do Rio 2012, presidido por Lucy Barreto, que foi homenageada com o marido Luiz Carlos pelos 50 anos da produtora de ambos, preferiu o Otávio Müller da comédia O Gorila, de José Eduardo Belmonte, e não se pode dizer que tenha sido um escândalo.

O ator, inclusive, foi responsável pelo único momento emocionante da cerimônia de premiação, na quinta-feira à noite, quando se ajoelhou no palco do Cine Odeon BR. Mais tarde, ele explicou ao repórter - "Fiz durante cinco anos uma peça de muito sucesso aqui no Rio. Nas últimas apresentações, eu me ajoelhava no palco para agradecer os aplausos. Ando sentindo falta do teatro e, ao sentir o carinho do público, o gesto me veio espontâneo. Não foi premeditado."

Pode não ter sido premeditado, mas foi a apoteose da noite. Todo júri de festival é soberano. Não existe nenhum Supremo a quem apelar - se houvesse, seria o caso de protocolar a petição imediatamente após a entrega, melhor seria fazer o loteamento, dos prêmios. De um júri, independentemente de se gostar ou não de suas escolhas, exige-se que seja coerente. O do Rio 2012 não foi. Foi premiando ao Deus dará. Teve acertos indiscutíveis - o Redentor de melhor filme para O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, o de melhor atriz para Leandra Leal, por Éden, de Bruno Safadi. Felizmente, houve o prêmio do público para A Busca, de Luciano Moura. Os dois melhores filmes do festival, os de Kléber e Moura, terminaram no pódio.

Soberania do júri ou norma do regulamento, os prêmios principais de documentário e ficção foram separados. O Redentor do júri, para a categoria, foi para Hélio Oiticica, de César Oiticica Filho. O público preferiu Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle. O curioso é que o júri deu apenas um prêmio de direção, unindo as duas categorias e ele foi para o Eryk Rocha de Jards, um belo documentário, sem dúvida, mas que não recebeu mais nada. O maior número de Redentores - três - foi para Disparos, de Juliana Reis. Melhor montagem, fotografia e ator coadjuvante, para Caco Ciocler. O Gorila e O Som ao Redor ganharam dois prêmios cada um.

Alessandra Negrini foi a melhor coadjuvante e agregou ao Redentor de Otávio Müller. A surpresa é que ela poderia muito bem concorrer ao prêmio de melhor atriz, porque se há uma protagonista (feminina) em O Gorila, é ela. Kléber Mendonça Filho somou ao Redentor de melhor filme o de melhor roteiro, que escreveu - dupla vitória do melhor cinema de autor. O filme será distribuído pela Vitrine (de Sílvia Cruz) e deve estrear em 1.º de janeiro, para começar bem o ano.

Outros momentos ficaram - na premiação da Mostra Novos Rumos. A menção para Jair Rodrigues, como ator, em Super Nada, de Rubens Rewald, teve aplausos consagradores. A menção para Gambá, assassinado no começo do ano, foi um grito dos funkeiros contra o preconceito. Gambá é a alma de A Batalha do Passinho, de Emílio Domingos. Durante a cerimônia, a diretora artística do evento, Ilda Santiago, anunciou que não era o último dia do Festival do Rio 2012. Já era o primeiro de 2013, para tornar o festival melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.