Uma missão de fôlego

Cenas de ação de Protocolo Fantasma, o quarto episódio da franquia, levaram até o diretor Brad Bird a fechar os olhos

LUIZ CARLOS MERTEN, DUBAI, RIO, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h09

Partiu do produtor Brian Burk a ideia de usar Burj Khalifa, em Dubai, como locação da cena mais eletrizante de Missão Impossível - Protocolo Fantasma. Em 2009, para promover o lançamento de Star Trek nos Emirados Unidos, ele esteve em Dubai com o produtor e diretor J. J. Abrams. Encantou-se com o cenário futurista da capital dos Emirados e, em especial, com o prédio mais alto do mundo. Não foi preciso muito esforço para convencer o astro Tom Cruise, produtor da série Missão Impossível, a colocar Dubai no mapa da produção.

O próprio Tom Cruise veio ao Brasil esta semana para o tapete vermelho de Protocolo Fantasma. Disse o que tem repetido, incansavelmente - "Desde que vi as fotos do que estava sendo construído no deserto, Dubai sempre me intrigou e fascinou". Como Mr. Cruise não reconhece limites no afã de agradar a seus fãs - ele próprio faz as cenas de ação, dispensando dublês -, desta vez resolveu radicalizar. Na cena mais eletrizante do filme, ele escala a parede externa de Burj Khalifa. Pode-se ver na escalada uma espécie de metáfora. Cruise, pendurado nas alturas de Burj Khalifa, não é só o personagem Ethan Hunt numa cena decisiva da trama, mas o próprio astro que tenta arrebentar nas bilheterias e recuperar seus status de número um em Hollywood, que perdeu já faz alguns anos (para Angelina Jolie).

Missão Impossível - Protocolo Fantasma estreia na quarta, dia 21, antecipando-se ao dia tradicional dos lançamentos, que seria sexta, dia 23, muito em cima do Natal. O diretor Brad Bird, fazendo a passagem da animação (Ratatouille) para a live action, conseguiu o que em princípio poderia ser a própria missão impossível de concretizar. Os três primeiros filmes foram assinados por Brian De Palma, John Woo e J. J. Abrams, três feras do cinema de grande espetáculo. Cada um deles conseguiu imprimir sua marca ao filme. De Palma, cinéfilo de carteirinha, encheu o filme de citações e, na cena da invasão do laboratório, pendurado por cabos no cenário high tech totalmente branco, é como se Ethan Hunt tivesse entrado na nave de 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. John Woo introduziu o jogo de máscaras e J. J. humanizou o herói, mostrando Ethan como um homem apaixonado que vai ao fim do mundo para resgatar sua amada.

E Brad Bird? "Eu só tinha medo de entrar para a história como o diretor que matou seu astro." Bird admite que teve pesadelos ao imaginar Tom Cruise pendurado no alto da torre de Burj Khalifa. Houve momentos, durante a filmagem, em que Cruise, pendurado, gritava - "Por que não estamos filmando?". Bird explica: "O efeito do vento é tão forte lá no alto que era difícil estabilizar os helicópteros com as câmeras". Ele admite que fechou os olhos na cena do salto - espere pelo filme para saber do que se trata. Quando ouviu o barulho, ele não acreditou. "Ele conseguiu, o fdp." Cruise ironiza. "Nenhuma empresa de seguro aceita que eu ande de moto, mas elas não se importaram muito com o fato de eu ficar pendurado em Burj Khalifa." O produtor associado Brian Burk corrige - "Mas nós nunca informamos direito o que pretendíamos fazer lá em cima".

Bird está dando uma contribuição importante à série. Protocolo Fantasma trata de ressurreição, mas, de novo, espere até dia 21. Bird e a coestrela Paula Patton fizeram o tapete vermelho de quarta com Cruise. Choveu muito no Rio no fim da tarde. O acesso à Lagoa, um dos caminhos para a Barra - é onde fica a sala Imax em que foi realizada a sessão -, virou a maior confusão, dentro do caos generalizado que dominou o tráfego da cidade. Cruise atrasou-se quase duas horas. Ao chegar, deu preferência aos fãs e às emissoras de TV. A multidão, a esta altura, já estava bailando.

Uma rave foi montada na lateral do complexo Lagoon, animada pelo DJ Tiësto. Conhecido dos brasileiros - vive aqui -, ele havia prometido fazer Tom Cruise dançar ao som do remix do tema de Lalo Schifrin que acompanha as aventuras de Ethan Hunt e seus amigos desde a TV. Foi, assim, ao som da batida inconfundível de Schifrin, atualizada por Tiësto, que o astro pisou no tapete vermelho. Não dançou, mas improvisou uma coreografia precária (considerando-se o que faz no filme). Vestido esporte - camisa, sem paletó, mocassins -, Cruise parece, de perto, muito conservado para seus quase 50 anos. Mantém a jovialidade do garotão. A pergunta que não quer calar - a série vai continuar? "MI tem potencial para seguir em frente. Trabalhamos na justa medida da seriedade e do humor." Se depender dele, Ethan Hunt terá tantas vidas quanto James Bond. Se isso vier a ocorrer, o cinéfilo só terá a agradecer. A série toda com Ethan Hunt é muito melhor, como cinema, do que a de 007.

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