Uma metamorfose

Caco Ciocler se lança em montagem de texto de Kafka para encontrar identidade como artista

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h09

"Você já leu A Construção? Então, leia." Foi essa sentença que Caco Ciocler ouviu durante uma sessão de análise, anos atrás. Naquele momento, a novela de Franz Kafka surgia como resposta para um sem-número de questões pessoais. E dela, o ator conta, não seria possível livrar-se mais. "Desde que li não consegui me desgrudar. Pensei: esse é o meu discurso como artista."

O espetáculo, que abre seus ensaios abertos a partir de hoje na Caixa Cultural e estreia dia 10 no Sesc Pompeia, nasce nesse contexto. Toma emprestado o texto do escritor checo para concretizar um desejo de verbalizar conflitos e perguntas muito particulares.

Quem conduz Ciocler na nova criação é o diretor Roberto Alvim. Ambos já haviam trabalhado juntos em 45 Minutos, montagem do ano passado na qual o intérprete já prenunciava certa necessidade de espelhar a própria condição no palco.

Na peça, escrita por Marcelo Pedreira, mostrava-se um ator em crise com o próprio ofício. Desgostoso com aquilo que faz, ele se dizia obrigado a estar no palco. Atuava apenas em troca do quarto que ocupava nos fundos do teatro. Provocava o público. A situação servia de pretexto para que se expusesse uma indagação na ordem do dia: como fazer arte em um mundo sedento por entretenimento?

De certa maneira, A Construção leva adiante o questionamento. Reafirma a recusa em oferecer algo de "palatável" à plateia. Assim como também aprofunda a estética que estava delineada na parceria anterior entre Ciocler e o encenador: os movimentos rareiam, toda a cena está imersa na escuridão.

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