Tiago Queiroz/AE
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Uma luz sobre Tom

Convidado do festival In-edit, Nelson Pereira dos Santos fala de seus dois filmes sobre Tom Jobim

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2011 | 00h00

O evento seria no domingo, mas foi antecipado para sexta-feira. Trechos do filme A Música Segundo Tom Jobim seriam exibidos, dentro do 3.º In-Edit - Festival Internacional do Documentário Musical, mas o que se viu foi só a peça publicitária já disponível no website da Natura, patrocinadora da produção. O pocket-show seria de Paulo Jobim, mas tocaram os não menos refinados Guinga e Sérgio Santos. Apesar das mudanças dos planos anunciados, provocando uma ponta de frustração pela ausência de qualquer imagem do filme, valeram a pena o show da dupla e o encontro com o diretor Nelson Pereira dos Santos.

Momentos antes de conversar com o público, o cineasta concedeu entrevista ao Estado, numa das salas do Museu da Imagem e do Som (MIS), para falar não só de um, mas de dois filmes sobre Tom Jobim (1927-1994), dirigidos por ele. Hoje, ele embarca para a França, onde será homenageado com o escritor Jorge Amado (1912-2001) e terá exibidos seis de seus filmes - Vidas Secas, Jubiabá, Tenda dos Milagres, Azyllo Muito Louco, Como Era Gostoso o Meu Francês e Rio, Zona Norte - no 13.º Festival do Cinema Brasileiro de Paris.

A Música Segundo Tom Jobim é uma montagem de gravações históricas dos maiores intérpretes mundiais tocando e cantando clássicos do compositor, em ordem cronológica, desde os temas em parceria com Vinicius de Moraes (1913-1980) da peça Orfeu da Conceição, os grandes sucessos da bossa nova e outros êxitos do vasto cancioneiro jobiniano que conquistaram o planeta. Por questões pendentes de direitos sobre as imagens, nada pôde ser exibido agora do filme - que tem estreia nacional prevista para agosto antes de ir para o exterior.

O outro chama-se A Luz do Tom e foi filmado em três ambientes relacionados às paixões do autor de Águas de Março pela natureza: o mar, a serra e o Jardim Botânico do Rio, que ele chamava de extensão de seu quintal. Para contar histórias sobre ele, o diretor entrevistou as três mulheres mais importantes da vida de Tom: a irmã Helena e as duas com quem ele foi casado, Tereza e Ana. "Filmei à moda antiga em película de 35 mm, porque as paisagens são tão bonitas que mereciam a melhor qualidade de imagem", diz o diretor. "Só que em vez do Rio, filmei uma parte em Florianópolis, porque as praias cariocas hoje têm mais prédios do que mar."

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