Uma leitura extraordinária e original

Um dado prosaico justifica a opção estética de Dimos Goudaroulis nesta gravação das suítes: ele mergulhou de cabeça na cópia manuscrita de Anna Magdalena, segunda mulher do compositor. Já que não há manuscrito autógrafo, só esta cópia, ao que tudo indica feita sob supervisão direta de seu marido, pode apresentar-se como fiel às intenções de Bach. A Amazon lista 1.303 gravações destas suítes. Nenhuma leva esta cópia em conta. Muitos dizem que as marcações de arcadas não são as mais práticas, chamam-nas de "deslizes" de Anna Magdalena. Dimos argumenta que arcadas diferentes significam justamente modos diversos, retóricos, de se "cantar" a mesma melodia. Parece óbvio, mas faz uma diferença fundamental nestas execuções. Outro detalhe que transforma sua leitura em algo inédito é a recusa do vibrato - recurso romântico que os mais dotados usam para "melar" as suítes e ao qual os medíocres recorrem para esconder a incapacidade de manter afinação. Dois detalhes para uma escuta ativa deste CD extraordinário e original.

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

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