Uma intervenção efêmera

Como o prédio do Masp - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foram necessários meses de negociações com os órgãos de defesa do patrimônio (nas três escalas, federal, estadual e municipal) para que pudesse ser realizada no local a obra Tramazul, de Regina Silveira. No trabalho, feito com 2,1 mil m² de vinil com impressões digitais, realizadas em parceria com Cido Schwab, é usada cola removível, o que não danificará em nada o edifício. Em janeiro, as faixas serão removidas naturalmente.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Como conta Regina Silveira, a obra é patrocinada pela Nestlé em R$ 400 mil. Desde 2007 surgiu o projeto de a artista fazer alguma intervenção no museu - a princípio, a ideia era um trabalho no vão livre do Masp, trazer instalação da artista realizada no Museu Vale, no Espírito Santo. Mas com o tempo e pensando no edifício, Regina mudou seu projeto, criando essa que é a primeira intervenção efêmera, mas de meses, na fachada do Masp.

A artista afirma que arquitetura marcante é a que ela pode fechar os olhos e ver - o que acontece com o Masp de Lina Bo Bardi - e que trazer a imagem de céu se acoplando ao edifício é um diálogo natural com a realidade.

A obra foi concebida em escala que permite visadas múltiplas: desde a Avenida 9 de Julho nos fundos do prédio; por transeuntes ou pessoas em carros e ônibus na Avenida Paulista; ou para quem quiser se sentar na continuação do vão livre do museu para contemplar tranquilamente a Tramazul. "Gosto da arte pública como ação, com efeito efêmero. Não quero monumento", afirma Regina.

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