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Uma história de 50 anos

Companhia tenta se reinventar para conquistar plateias

Maria Eugênia de Menezes, CURITIBA, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

O Balé Nacional da China é a mais antiga companhia de dança do país e única a ser mantida pelo Estado chinês. Foi criada em 1959 e surgiu com a missão de importar para a pátria de Mao Tsé-tung a tradição estrangeira do balé clássico. Em seus primeiros anos abraçou a missão de divulgar para as plateias locais os grandes balés românticos da tradição ocidental, como O Lago dos Cisnes. E, durante a Revolução Cultural, serviu muitas vezes de vitrine à causa comunista.

Não é pequeno o status de ser uma companhia estatal na China. O governo subvenciona apenas dez instituições culturais, entre elas a aclamada Ópera de Pequim, que já construiu uma sólida reputação internacional. "Mas nós ainda estamos muito longe de ter o prestígio que os atletas têm na China, por exemplo", pontua Peter Shi, diretor assistente do grupo.

"Um bailarino dança no máximo por dez anos e muitos deles, depois disso, não têm o que fazer", diz Shi, explicando que um dos principais gargalos da companhia é a questão da aposentadoria. Isso acontece porque a entrada no corpo de baile da companhia exige não apenas que a dedicação seja integral, mas também precoce. Para aspirar a uma vaga, o candidato tem que ter no mínimo sete anos de estudo na Academia de Dança de Pequim. Uma escolha que as crianças fazem cedo e que, na maioria dos casos, diminui consideravelmente o tempo dessas meninas e meninos na escola.

Diretora-geral da companhia, Feng Ying é uma bailarina que começou dançando na Academia de Pequim aos 11 anos e desde 2004 ascendeu ao posto máximo da companhia. Em sua gestão, ela explica, mantém-se o rumo que o conjunto já vinha seguindo: buscando peças de coreógrafos contemporâneos, como George Balanchine e Roland Petit. Também se acentuaram as temporadas internacionais. Atualmente, o grupo faz duas turnês fora da China por ano, com passagens por grandes casas de espetáculo, como a Royal Opera House, de Londres.

Esta será a estreia do grupo na América do Sul, que traz na bagagem dois programas diferentes: São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Curitiba assistem a Lanternas Vermelhas. Já em Porto Alegre e Brasília, o público irá acompanhar um pot-pourri de trabalhos do grupo: o clássico Giselle, e as peças New Year"s Sacrifice e Yellow River, duas criações de coreógrafos chineses.

NÚMEROS

60 bailarinos estão na companhia

100 apresentações são feitas por ano

2 meses foi o tempo necessário para os contêineres com equipamentos chegarem ao Brasil

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