Uma garota que amava o Pearl Jam, o Nirvana...

Análise: Flavia Guerra

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h08

Se você fosse uma adolescente nos anos 90, vivesse em uma metrópole, com os nervos e hormônios à flor da pele, que fervia sob a camisa xadrez e sentia o mal estar da civilização pós-guerras, pós-punk e pós-moderna, o que desejaria que seu namorado (ou ficante - sim já 'se ficava' ) tocasse para você na festa de fim de ano da escola? Yesterday? Lady Jane? Lonely Boy? Se você fosse fã do rock alternativo, e achasse que Seattle era o centro do mundo (pelo menos, do seu), iria querer que ele tirasse Black na guitarra e aprendesse a cantá-la com a ajuda da Letras Traduzidas (não havia internet, celular, twitter...) e que dissesse que você ficava uma gata de coturno, camiseta branca, camisa 'lenhador' xadrez amarrada na cintura, cabelo estrategicamente sem corte e calça jeans larga e surrada, claro.

E claro que você iria saber que The Who é A Banda, que o grunge, apesar de ter vindo do inglês 'sujão', não era tão sujo assim e que devia muito a Neil Young e Ramones. Mas iria mesmo era se identificar com a briga de Eddie 'Coração de Leão' Vedder contra 'o sistema'. E iria suspirar por seus olhos azuis melancólicos. Em 1994, iria chorar o fim de uma era com a morte de Kurt Cobain, mas iria se consolar ouvindo Superunknown do Soundgarden e Vitalogy, do Pearl Jam. E ouviria de sua mãe: "Onde foi que errei? Ao menos, as hippies usavam flores no cabelo e eram alegres."

Menino ou menina, se você foi 'adolescente 90', e assistiu a uma das raras sessões que Pearl Jam Twenty teve na última terça, emocionou-se ao ver os garotos da época (hoje trintões) cantarem baixinho, em busca de um tempo não perdido, mas vivido... É fato que se o assunto é cinema, a geração 60 teve Gimme Shelter. E Cameron Crowe não é Albert Maysles, Mas saudade não é para ser comparada nem explicada. É para ser sentida. Disso, o apaixonado diretor entende. A geração 90 também.

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