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Uma década ao som dos musicais

Dez anos depois da estreia do precursor Les Misérables, espetáculos ao estilo Broadway conquistam espaço definitivo

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2011 | 00h00

Musicais sempre foram bem montados no Brasil - nos anos 1960, por exemplo, Bibi Ferreira e Paulo Autran encenaram uma versão de sucesso de My Fair Lady, que teve 700 apresentações no Teatro Paramount. Mas versões fieis à Broadway, com idênticos figurinos e cenários e movimentando pequenos exércitos de técnicos, músicos e atores, são mais recentes. E tudo começou no dia 25 de abril de 2001, quando estreou Les Misérables no Teatro Abril (que antes abrigava o mesmo Paramount), iniciando uma nova e produtiva era.

Em dez anos, uma verdadeira revolução aconteceu nas cenas paulista e carioca, com o surgimento de profissionais do palco musical. Por conta disso, clássicos como O Fantasma da Ópera, My Fair Lady, Gypsy e Hair, entre outros, puderam ser montados com cuidado e fidelidade ao original, deslumbrando plateias que antes só conseguiam ver algo similar em Nova York ou Londres.

"Os musicais são o evento mais significativo do teatro brasileiro dos últimos dez anos", atesta Claudio Botelho que, ao lado de Charles Moeller, é responsável pela montagem de grandes espetáculos. "A abertura de um mercado de trabalho que mudou a vida de algumas centenas de atores, técnicos, músicos, produtores e casas de espetáculos já representa mais que qualquer revolução estética. E, mais que isso, a adesão em massa de um público que havia anos não frequentava o teatro mostra que os musicais não são uma invenção autoindulgente, uma veleidade artística, mas sim uma nova possibilidade profissional e madura para o entretenimento no Brasil."

De fato, a produção ganhou impulso com o aval de grandes empresas como a CIE Brasil, hoje Time For Fun (T4F), que mantém conexões em outros países, o que permite um rodízio nos espetáculos. Um exemplo fictício: quando A Bela e a Fera encerrava temporada aqui, seguia para a Argentina, onde O Fantasma da Ópera acabara de passar e rumava para a Espanha, onde recém-terminara a fase de Miss Saigon, agora preparando-se para chegar ao Brasil.

"Com isso, houve uma grande formação de plateias", observa o produtor e diretor Jorge Takla, profissional que há anos trabalha na área, antes mesmo desse novo boom. "Houve especialmente uma grande formação de artistas com trabalho de palco mais amplo (canto, dança e interpretação), uma apuração técnica muito grande entre maquinistas, camareiros, peruqueiros, maquiadores, iluminadores, sonoplastas." Surgiram até novas profissões, como a de stage manager, o responsável pelo cumprimento à risca de todas as exigências de cada musical.

O palco logo passou a abrigar artistas que se tornaram estrelas, consolidando uma fama que atraía público, como Saulo Vasconcelos, Kiara Sasso, Totia Meirelles, Sara Sarres, Fred Silveira, Nando Prado, Marcos Tumura, Daniel Boaventura, Amanda Costa, Alessandra Maestrini. Logo, também motivou o nascimento de produtoras nacionais, como a Aventura, empresa dedicada exclusivamente à montagem de espetáculos de grande porte e alto padrão.

"O que trouxe os patrocinadores foi a visão de que há público em grande escala, e o fato de que as produções se mostram (em geral) sérias, com comprometimentos de exposição das marcas, bastante visibilidade para os anunciantes, etc.", explica Botelho. "O teatro deixa de ser uma "queixa" e passa a ser um "atração"." Ele e Moeller, aliás, preparam-se para outro passo ousado: a construção de teatros especializados em musicais no Rio e em São Paulo. "Estamos a um passo disso."

Resta, agora, o surgimento de grandes obras nacionais, o que parece ainda distante. "A arte de escrever teatro musical é extremamente complicada e elaborada, uma fórmula especializada da qual ainda nos falta muito know-how", justifica Takla. "Apenas haverá musical nacional quando houver compositor brasileiro escrevendo música para o teatro", completa Botelho. "Apenas Ed Motta se dedicou de maneira mais séria. E Francis Hime prepara algo que irá acontecer em mais um par de anos."

CINCO MOMENTOS INESQUECÍVEIS

1. O Fantasma da Ópera (2005)

O susto com o lustre foi uma das atrações da peça que exibiu o talento de Saulo Vasconcellos

2. Gypsy (2010)

Totia Meirelles, surpreendente a cada segundo em que esteve em cena, foi a atriz da década

3. A Noviça Rebelde (2008)

Como Maria, Kiara Sasso comprovou a condição de uma das estrelas do musical nacional

4. Hair (2010)

A força do talento do elenco é o grande trunfo da montagem de Claudio Botelho e Charles Moeller

5. My Fair Lady (2007)

Clássico, ganhou versão à altura de Jorge Takla, com Daniel Boaventura e Amanda Costa

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