Uma casa para imagens

A fotografia ganha espaço cultural no centro da cidade

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2011 | 03h06

Entre a década de 1910 e até hoje, a Casa da Imagem passou por 13 endereços, mas só agora a instituição que guarda o acervo de fotografia da Prefeitura de São Paulo inaugura um espaço que marca o resultado de um cuidadoso processo de estruturação para que sua coleção possa ser vista pelo público. Um casarão do século 19, de três andares, abrigado na antiga Rua do Carmo - hoje Rua Roberto Simonsen, ao lado do Páteo do Colégio -, passou por restauro desde 2009 para ser a sede da Casa da Imagem. Ela será inaugurada no sábado, com a exposição Guilherme Gaensly, O Fotógrafo Cosmopolita, que apresenta São Paulo e suas transformações por meio de imagens registradas entre 1890 e 1920 pelo suíço-brasileiro.

A Casa da Imagem é responsável por um acervo de 710 mil fotografias e negativos da capital paulistana, realizados nos últimos 150 anos. É uma das 12 unidades do Museu da Cidade de São Paulo, órgão do Departamento do Patrimônio Histórico/Secretaria Municipal de Cultura que é uma rede com sede no chamado Solar da Marquesa de Santos, casarão também localizado na Rua Roberto Simonsen e que passou por restauro. A Prefeitura de São Paulo promove, assim, no sábado, a inauguração, para o público, do complexo com três espaços culturais na região: a Casa da Imagem com a mostra de Gaensly, que tem curadoria de Rubens Fernandes Junior (acompanhada de livro editado pela Cosac Naify); o Solar, com a ampla exposição A Marquesa de Santos: Uma Mulher, Um Tempo, Um Lugar, concebida por Heloisa Barbuy, da USP; e o Beco do Pinto, abrigado entre os dois edifícios e ocupado com a instalação No Ar, da artista Laura Vinci.

Como diz a diretora do Museu da Cidade, Regina Ponte, a Casa da Imagem é a primeira instituição que foi estruturada como tal dentro da rede de casas e espaços do órgão municipal. "O acervo iconográfico tem muita procura", diz Regina. O novo espaço para a fotografia é dirigido por Henrique Siqueira, que está trabalhando no projeto da Casa da Imagem desde 2008.

"Foram três anos de trabalho de recuperação, documentação e pesquisa do acervo", diz Siqueira, completando que 100% da coleção está restaurada e conservada, devidamente acomodada em reserva técnica. Do acervo de 710 mil imagens, que teve origem na gestão do prefeito Washington Luís (1914-1919), 120 mil obras já estão digitalizadas para consulta. As imagens representam tanto o desenvolvimento iconográfico urbanístico de São Paulo quanto as fotografias do gabinete do prefeito. Os destaques desse material são 150 negativos de vidro do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) e coleções com obras de Gaensly, Aurélio Becherini (1879-1939), Benedito Junqueira Duarte (1910-1995) e Ivo Justino, representado por fotos dos anos 1960 e 70.

A mostra de Gaensly (1843 -1928), que ocupa todas as salas expositivas da Casa da Imagem, apresenta o "trabalho requintado, de composição clássica e sintonizada com os grandes fotógrafos paisagistas do final do século 19 do mundo", diz Rubens Fernandes. A partir do próximo ano, conta Siqueira, mostras e livros sobre Militão e Justino poderão ser feitos - mas a instituição também promoverá exposições de fotógrafos convidados. "A previsão orçamentária para programação de 2012 é de R$ 820 mil", afirma o diretor curador.

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