Uma Carrie jovem e bem mais madura

Seriado acompanha a personagem de Sex and the City na adolescência

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2013 | 02h11

A ideia de que maturidade vem com o tempo parece não funcionar com Carrie Bradshaw. Em sua fase adulta, a protagonista de Sex and the City - ainda exibição no TBS - se comporta de maneira mais ingênua do que na adolescência, que começa a ser retratada em Carrie Diaries, com estreia marcada para o dia 20 de maio, às 19h, no canal pago Boomerang.

A série mostra como a norte-americana, que se tornou uma entusiasta da moda e ficou deslumbrada com a ilha de Manhattan, também tratava de questões mais sérios do que comprar sapatos de grife. Na trama com personagens adolescentes, porém, com uma pegada nem tão inocente assim, a protagonista, vivida por Anna Sophia Robb, tem de lidar com a morte da mãe, vítima de um câncer, e tentar melhorar o clima em casa.

Além de dar atenção ao pai viúvo, a jovem precisa lidar com a rebeldia da irmã mais nova, Dorrit (Stefania Owen), que demorou mais para assimilar a perda. Enquanto isso, Carrie também atua como conselheira amorosa dos amigos de escola. Lá é que ela começa o romance com o seu Mr. Big adolescente, Sebastian Kydd (Austin Butler). Se na faixa dos 30 ela precisava driblar as ex-mulheres do amado, aos 17 ela tem de competir com periguetes do colégio. A maneira de tratar os homens é outro ponto que difere a personagem jovem da adulta, que valorizou o passe de Sarah Jessica Parker - de passagem por São Paulo este fim de semana. Crescida, ela estava sempre questionando suas atitudes nos relacionamentos. Jovem, ela não leva tanto em consideração o que seu par faz.

A grande mudança na vida da loira se dá quando o pai lhe propõe um estágio semanal em um escritório em Manhattan. Moradora de subúrbio em Connecticut, ela leva alguns minutos de trem para chegar ao glamour nova-iorquino e ficar boquiaberta com as novidades da Big Apple.

Em seu primeiro dia de expediente, ao comprar uma meia-calça em uma famosa loja de departamentos - que a Carrie adulta jamais frequentaria, pelo fato de o lugar ser chamariz de turistas por vender a preço de banana peças de coleções passadas -, a bolsa da jovem chama atenção de uma repórter de uma revista de moda, que a insere no mundo fashion. A partir daí, a protagonista fica ávida para passar mais tempo na cidade que contrasta com a terra natal.

No primeiro episódio, ao frequentar as festas dos descolados, ela fica perplexa ao ver dois homens se beijando. "Desculpe, mas nunca vi ninguém gay antes", diz a um casal. "Deve haver muitos caras assim ao seu redor e você não deve saber", responde um deles. Carrie, entretanto, não se abala e se entrega às taças de champanhe antes de provar o Cosmopolitan, bebida que Sex and the City ajudou a popularizar.

Ambientado em 1984, Carrie Diaries tem uma direção de arte que retrata a época com cuidados. Além da curiosidade de saber as origens da protagonista, o espectador também pode se divertir com os figurinos típicos daquela época, em que cortes de cabelo exagerados e roupas com cores berrantes dominam as cenas. A diferença tecnológica é outro destaque. Apesar da ausência dos telefones celulares, nada impede que Carrie e suas amigas consigam se comunicar e arranjar telefones fixos em situações inusitadas. Se a loira adulta era vista contando seus dilemas em um computador, ela aparece com caneta e um simples caderno, que dá nome à atração.

Mesmo recheada de contrastes com Sex and the City, a série traça um paralelo entre as duas fases de Carrie. Além de narrar a própria vida para quem assiste, a personagem mostra aos poucos o gosto por roupas pouco discretas, que dão a impressão de ela viver em um eterno desfile de semana de moda.

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