Divulgação/Bruno de Lima
Divulgação/Bruno de Lima

Uma bienal superlativa, com religiosos em alta

Público e faturamento bateram recorde em relação a 2009

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

RIO

Padre Marcelo Rossi, padre Fábio de Melo, bispa Sonia Rodrigues, pastor Silas Malafaia. Numa Bienal do Livro superlativa, de recorde de público (670 mil pessoas em onze dias, número 5% maior do que o de 2009), de exemplares vendidos (2,8 milhões, contra os 2,4 milhões anteriores) e de faturamento (R$ 58 milhões, contra R$ 51,5 milhões), religiosos que dão expediente como escritores ajudaram a alavancar as vendas.

Livros como Ágape (Globo), o best-seller de 6 milhões de cópias do padre Marcelo, o mais vendido na Bienal, Tempo de Esperas, do padre Fabio, e Vivendo de Bem com a Vida, da bispa, integram o segmento que mais cresce no País, segundo a última pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, realizador da Bienal, com a Fagga Eventos e a GL Events. Em 2010, o incremento foi de 40%, em relação a 2009. Esta Bienal teve 25 editoras especializadas; em 2009, eram 16.

A histeria em torno do padre Marcelo foi tamanha - cerca de 15 mil pessoas só para vê-lo, concentradas num só horário, o que provocou falta de água e vagas no megaestacionamento do Riocentro - levou a organização a repensar os limites da feira. A partir de 2013, é possível que um espaço fora dos pavilhões seja destinado só para atrações extras e superpopulares. "Fugiu do nosso controle", admitiu Arthur Repsold, da GL Events. "Foi feita uma campanha muito forte pelo rádio, da qual não tínhamos conhecimento." O padre chegou a ficar com a mão machucada depois de mais de mil autógrafos, foi levado ao posto médico. Passadas dez longas horas, sem conseguir mais pegar na caneta, improvisava bênção coletiva.

A presença dele repercutiu nas vendas de outros livros católicos. Na Ediouro, os do padre Reginaldo Manzotti se esgotaram; na Paulus, saíram os títulos de teologia e os infanto-juvenis.

"Vamos embora muito felizes. Trouxemos três mil exemplares de Paiva Netto e estamos zerados", dizia, domingo à noite, o representante da editora Elevação, "ecumênica". Na Central Gospel e em outras editoras evangélicas, a Bienal também foi de lucros altos.

Idolatria. Escritores de mais prestígio, brasileiros e estrangeiros (Luis Fernando Verissimo, Ferreira Gullar, Gonçalo M. Tavares, Michael Connelly) e grandes vendedores (Anne Rice, William Young), em especial os infanto-juvenis (Thalita Rebouças, febre Bienal após Bienal, Eduardo Spohr, Alyson Noël, Lauren Kate, a novata Hilary Duff), num total de 134 autores na programação cultural e mais de 700 nos estandes, atraíram milhares de seguidores nas mesas e nos corredores. Além deles, personalidades que nunca escreveram uma linha - Ronaldinho Gaúcho autografou até gibi.

"Nossa expectativa era conservadora, e conseguimos fazer a melhor Bienal de todos os tempos", dizia a presidente do Snel, Sonia Jardim, a três horas do fim da maratona de vendas e mesas. Quem vai só para passear é minoria: "Setenta e seis por cento das pessoas compraram livros, e o número de exemplares subiu de 4,8 para 5,5."

De máquina fotográfica nas mãos, as crianças e adolescentes estão mesmo tomando conta da Bienal: 110 mil passaram pelo espaço Maré de Livros. Os menores pegavam os exemplares dispostos à altura das mãos; os maiores, em grupos grandes e barulhentos, brincavam de formar frases com caracteres de computador. A visitação escolar também cresceu. Um outro dado positivo, num momento em que se discute o baixo índice de leitura entre os educadores, foi a frequência de professores: 80 mil (eles tiveram entrada gratuita). O índice é 15% maior do que o de dois anos atrás.

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