Uma Amazônia sem lendas

Único longa-metragem brasileiro a integrar a programação oficial da Rio+20, Amazônia Eterna, de Belisario Franca, foi exibido no Cine Odeon na segunda-feira à noite. A apresentação ocorreu no quadro do Goodplanet Film festival, que começou aqui no sábado. São sessões gratuitas de filmes ligados às questões de biodiversidade e sustentabilidade que têm dado o tom das discussões no evento. Em vez das herméticas discussões políticas, diplomáticas e/ou científicas, o festival abre o debate para o público pela via da estética.

RIO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h11

Ontem à noite, Yann Arthus-Bertrand e Michel Pitiot mostraram Planet Ocean, que foi debatido, na sequência, pelos realizadores e pelo príncipe Albert, de Mônaco. Amazônia Eterna foi uma surpresa e tanto. O cinema tem discutido as questões da Amazônia, mas nunca como neste filme.

Especialistas abordam a realidade e a vida da região segundo diferentes perspectivas. Diferentes, mas nem tanto. O filme, ao mesmo tempo que desmistifica lendas - o pulmão e o celeiro do mundo -, propõe uma discussão muito interessante sobre a Amazônia econômica. É preciso colocar valores - na madeira, no ar, na água, nos peixes - até para que as pessoas valorizem mais a região que é decisiva para a sustentabilidade do próprio planeta. É possível ter árvores e caçar e pescar animais sem risco de estar destruindo a floresta e seu acervo. É uma questão de responsabilidade social.

O filme trata de questões que são relevantes para a sociedade. Expõe uma causa. Mas, acima de tudo, Amazônia Eterna é cinema, e do bom. Belisario Franca sabe disso. Numa breve conversa com o repórter, após a projeção, ele disse que planejou seu filme como uma viagem sensorial. O resultado é de grande beleza - audiovisual. O Koyaasnisquatsi brasileiro? / L.C.M.

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