Divulgação
Divulgação

Uma alegria selvagem

A dupla Felipe Bragança e Marina Meliande fala de A Fuga da Mulher Gorila e do diálogo com seu outro filme

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Felipe Bragança e Marina Meliande ainda estão no meio do processo de lançamento de Alegria. O filme estreou em Rio, São Paulo e começa a ganhar outras praças do Brasil (capitais ou grande cidades). Neste momento, eles lançam outro filme, que, apesar das diferenças, tem tudo a ver com o já em cartaz - A Fuga da Mulher Gorila. Como se faz para levar um filme autoral, que não é necessariamente de massa, ao encontro do público jovem, que seria, pelo menos em teoria, o mais apto a valorizar esse tipo de produção mais alternativa? Um dos caminhos tem sido a rede, a internet.

"Criamos um perfil para a Luiza (NR - a personagem de Alegria) no Facebook e ela já tem 2 mil amigos", diz Bragança. "Pensei que eram amigos da gente, ou profissionais do cinema, querendo dar uma força, mas é um público diferenciado, que está se deliciando com a Luiza", ele acrescenta. Bragança admite que já está ficando com ciúmes. "Ela tem mais amigos que eu", reclama.

Marina informa que, como realização, Mulher Gorila é anterior a Alegria, mas o outro filme já existia como projeto e estava encaminhado. "Alegria foi um filme mais complexo e estruturado para fazer. Entramos nas leis de patrocínio, ganhamos dinheiro, mas ainda estávamos à espera de liberação, essas coisas. A equipe estava pronta, resolvemos então fazer outro filme no susto. Foi assim que surgiu Mulher Gorila."

Duas mulheres caem na estrada, numa Kombi. Elas levam o show da mulher gorila, a que se refere o título. "Ao contrário do Alegria, que foi muito pensado, muito produzido - é claro que dentro do nosso sistema modesto -, Mulher Gorila foi sendo criado no processo. A Kombi, além de ser objeto de cena, abrigava a produção. Íamos descobrindo as locações na própria estrada. Foram oito dias de aventura", ela explica.

Mais até do que a estrada como metáfora de um cinema que se (re)inventa no cotidiano, Mulher Gorila aborda temas que compõem (e fortalecem) essa mesma metáfora. O duplo, a troca de papéis entre as protagonistas, o jogo de espelhos, tudo isso remete à essência do cinema. E existe a gorila como representação de uma sexualidade intensa, raivosa. O fato de abordar, com tanta força, a sexualidade feminina, teve algum problema? Afinal, Bragança é homem. Marina diz que não. "Trabalhamos juntos há muito tempo, compartilhamos ideias, a tensão, quando existe, é criativa."

A FUGA DA MULHER GORILA

Direção: Felipe Bragança e Marina Meliande.

Gênero: Drama (Brasil/ 2009, 82 min.). Censura: 12 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.