Uma abertura de influências que só fez bem à velha escola

Crítica: Carlos Eduardo Oliveira

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h12

JJJJ ÓTIMO

JJJJ ÓTIMO

Com lançamento nacional cravado para 29 de setembro, Contra Nós Ninguém Será redesenha a atitude de Edi Rock em seu hábitat musical. E o que melhor traduz o DNA do trabalho é o contraponto entre as guitarras do power trio norueguês BigBang e o partido-alto de primeira do Quinteto em Branco e Preto, presentes em vinhetas inspiradíssimas.

Não se trata de mero atirar à esquerda e à direita, para ouvidos gregos e troianos. Entre os dois polos reside um trabalho maduro, equilibrado, que sabe onde quer chegar e o faz por vários e criativos caminhos, sem abrir mão do estilo viral que consagrou os Racionais MCs, presente em pedradas como Um Truta Meu Me Disse (não por acaso, com Mano Brown), Liberdade Não Tem Preço (com Dexter), Tá na Chuva (produção de KL Jay) e Na Rota da Ambição (com DBS e Túlio Dek). Também não cabem tentações de último minuto, como abraçar o 'novo rap', ainda que o anfitrião agregue a nova e a velha escola (Emicida está entre os convidados).

A tracklist do disco ainda não foi definida, nem o número de faixas - há chances até de um CD bônus. Algumas músicas nem sequer têm nome, caso do irresistível latin soul que traz Marina de la Riva, e da segunda música de trabalho, um reggae raiz vertendo dub com Natiruts e Falcão de O Rappa ("os reggaemen e os vidalôka / juntos, pra todo mundo ver"). Mas 90% está pronto e mixado, e o restante - um vocal aqui, uma batida ali - é finalizado sob a produção impecável do DJ Cuca.

Hit instantâneo, o carro-chefe That's My Way, com refrão grudento de Seu Jorge, já é executado nas rádios. Nunca Enganou ("... na bolsa de São Paulo / os valores estão em falta") é rap funkeado, ou vice-versa, com Sandrão, do RZO; e se Última Missão é R'n'B padrão ianque (com vocais de Karen Rios), Selva de Pedra é chacundum Motown pra incendiar pistas. Em Canto Que Soul (com Flora Matos e Rael da Rima), quem desequilibra é o percussionista Leon Mobley (Ben Harper, Damian Marley), e Estrela de Davi tem a lucidez de incluir outro racional, o Tim Maia de Bom Senso. Em Contra Nós Ninguém Será, tudo está em seu devido lugar.

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