'Um Violinista no Telhado' ganha montagem no Rio

Uma sequência natural no trabalho - depois de "Hair", que prega a quebra de critérios e a total aceitação do semelhante, Claudio Botelho e Charles Möeller, dupla responsável pelos principais musicais montados no País recentemente, partem agora para "Um Violinista no Telhado", que estreia amanhã no Teatro Oi Casagrande, no Rio. "Assim como em Hair, também o Violinista deixa o sol entrar ao tratar da importância da tradição", observa Möeller.

AE, Agência Estado

19 de maio de 2011 | 10h30

De fato, considerado um dos grandes musicais dos anos 1960 (foi o primeiro da história do teatro americano a ficar em cartaz por mais de sete anos), "Um Violinista no Telhado" parte das tradições judaicas para mostrar sentimentos mais gerais, como amor à terra em que se vive e filiação. Inspirado nos tradicionais contos de Sholom Aleichem, o musical conta a história do leiteiro Tevye, morador de Anatevka, um vilarejo judeu encravado na Rússia czarista, no início do século passado. Pai de cinco filhas, ele se vê diante de uma crise quando elas desafiam a tradição ao recusar casamentos arranjados. "Trata-se do primeiro musical americano em que não há glamour como seus antecessores, ou seja, todos os personagens são pobres", lembra Botelho.

De forte cunho autobiográfico, Tevye revela-se um homem moderno ao aceitar as reivindicações das filhas, ainda que se mantenha fiel à maioria das tradições. Assim, apesar de ser considerado o Rei Lear dos musicais, "Um Violinista no Telhado" apresenta particularidades. "As filhas fazem com que Tevye se questione sobre o próprio amor dedicado à mulher", comenta Möeller.

Com canções de Jerry Bock e Sheldon Harnick e a celebrada coreografia de Jerome Robbins (mantida na montagem brasileira), o musical estreou na Broadway em 1964 e ganhou uma versão cinematográfica em 1971. A primeira teve Zero Mostel no papel principal, enquanto para a tela grande o eleito foi Topol. Não foram escolhas ao acaso, garante Botelho, também supervisor musical. "Tevye exige uma das maiores entregas vocais de personagens masculinos entre os musicais da Broadway", explica. Assim, na versão nacional, era preciso manter a tradição. Audições foram realizadas e o escolhido foi José Mayer.

Com alguma experiência no teatro musical - em 2007, cantou algumas canções de Catullo da Paixão Cearense em "Um Boêmio no Céu" -, Mayer revela-se perfeito como Tevye, alternando drama e humor com precisão e, importante, exibindo voz potente e aveludada nas longas canções do Violinista. É justamente seu carisma que torna factível o personagem dividido entre a tradição e o progresso. Mais ambicioso projeto da dupla Möeller/Botelho, "Violinista" tem investimento de R$ 7 milhões para manter intactas as características originais: elenco de 41 atores (de 6 a 78 anos), 160 figurinos, 13 cenários e orquestra de 17 músicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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