Um tributo sedutor ao rei do swing

O clarinetista francês Julien Hervé presta suas reverências mais delicadas ao genial Benny Goodman

JOÃO MARCOS COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h08

O clarinetista francês Julien Hervé, primeiro solista da Orquestra de Roterdã e integrante da Orquestra Les Siècles de François-Xavier Roth, de Paris, acaba de lançar o interessantíssimo CD Waiting for Benny. É um tributo a Benny Goodman (1909-1986), um dos maiores clarinetistas do século 20, coroado rei do swing nos Estados Unidos dos anos 30. Com sua fabulosa big band, abriu as portas do erudito Carnegie Hall pela primeira vez para o jazz, num show em 1938 que se tornou lendário. Pois além de rei do swing, Goodman sempre esteve atento à música contemporânea. Tanto que encomendou várias peças a grandes compositores norte-americanos ou europeus lá radicados entre os anos 30 e 60.

Com certeza vocês conhecem as peças mais famosas encomendadas por Goodman, como o Ebony Concerto, de Stravinsky, ou Contrastes, de Bela Bartók. Hervé até conclui seu CD com Contrastes, aliás numa ótima performance ao lado de Jean-Hisanori Sugitani ao piano e Maud Lovett ao violino. Mas completa o repertório com peças inesperadas e isso é o que diferencia a gravação.

Hervé abre o tributo com a sensualmente bela e extraordinária sonata para clarineta e piano de Francis Poulenc, sua derradeira peça, composta no ano de sua morte, 1962. É uma música hedonista, que faz do prazer sua razão de ser, em três movimentos. A primeira audição mundial da sonata aconteceu em 10 de abril de 1963 no Carnegie Hall, com um duo de luxo: Benny & Lenny. Não foi uma estreia casual. A paixão de Leonard Bernstein pela clarineta vinha de seus tempos de estudante, nos anos 40. A ponto de sua primeira obra publicada ter sido uma sonata para clarineta e piano em 1942. Que, claro, Hervé interpreta com empenho e talento, ao lado de Sugitani. Destaque para o Andantino - Vivace e leggiero final.

Felizmente, Hervé incluiu no CD a peça mais surpreendente de quantas tenham sido dedicadas a Benny: oito deliciosos duos para clarineta e contrabaixo, compostos em 1962 por Morton Gould, compositor e amigo de Goodman, especialmente para uma turnê do músico de jazz pela União Soviética em plena guerra fria. Benny's gig é o melhor de dois mundos. Tem swing e ao mesmo tempo é muito bem estruturado. Aqui Hervé é acompanhado pela contrabaixista chinesa Ying Lai Green.

Três previsíveis porém agradáveis arranjos para clarineta e piano de três prelúdios de Gershwin e as três curtíssimas peças de Stravinsky completam este sedutor tributo ao rei do swing.

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