Um teatro lotado para barba

Teatro Poeira, noite de segunda-feira. Sala apinhada, gente sentada no chão. A expectativa é de conhecer o trabalho de um dos principais diretores teatrais do mundo em atividade. Eugenio Barba, italiano radicado em Holstebro, na Dinamarca, está no Brasil para mostrar um pouco da vivência acumulada em quase 50 anos à frente do Odin Teatret.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2010 | 00h00

A plateia, cheia de gente importante para o teatro brasileiro (Paulo José, Marieta Severo, Amir Haddad, Emílio de Mello...), se emociona com a entrega absoluta, em cena em O Castelo de Holstebro, da atriz britânica Julia Varley, há 34 anos com Barba. Ao fim, muitos vão beijar as mãos do encenador. Pedem autógrafos em livros como Queimar a Casa - Origens de Um Diretor, autobiografia de sua experiência artística, norteada pela antropologia teatral da qual é símbolo.

Seu particular método de trabalho, que não se origina num texto já preparado, está sendo observado até amanhã por um grupo de cerca de 60 pessoas, entre atores, diretores e críticos, que se inscreveram no projeto Puentes, do Poeira (o total de candidatos chegou a 150).

Barba foi trazido pelo amigo Aderbal Freire-Filho, que participa com ele do Seminário Cruzamento de Dramaturgias. "Todos têm curiosidade de saber como os diretores trabalham. Está sendo como um ateliê aberto", contava Aderbal, depois do primeiro espetáculo da semana (terão sido quatro até amanhã). "O Brasil é teatralmente impressionante. Estou numa fase da vida que tenho vontade de fazer coisas que nunca fiz, como esta. Não sabemos como fazer, e é essa a motivação", explicava Barba.

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